Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

GERAL

Bonfim Paulista ganha
sistema de monitoramento

Computador doente... e agora?

Distrito empresarial não se
desenvolve em Ribeirão Preto

Mercado dominado por homens vaidosos

A arte circense conquista seu espaço

Aumenta procura pela vida religiosa

Transporte coletivo descontenta população

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

A realidade das favelas

Uso incorreto da água causa superexploração do Aqüífero Guarani

Encontro promove debate sobre ética na TV

Quando roubar é uma doença

Participação de mulheres na polícia em São Paulo completa 50 anos

Inimigo silencioso

Lembranças da Segunda Guerra Mundial

Pesquisadores da USP utilizam células-tronco no tratamento de doenças

A união faz a praça

Ribeirão ocupa o terceiro lugar no ranking do Estado em número de portadores do HIV

Educação superior a distância

A crise da meia-idade

Ciúme: medo disfarçado de amor

Mulheres ocupam cargos de chefia

Hotel para cavalos com direito
a convênio médico

Setor hoteleiro cresce em Ribeirão Preto

EDITORIAL E ARTIGOS

Brasil do terrorismo urbano

Porque ser publicitário

Editorial

Expediente

 

Participação de mulheres na polícia em São Paulo completa 50 anos

Primeira Tenente Marililze Scomparin: trabalho por vocação

Foto: Tatiana Serebrinsky

José Olávio de Miranda

 

Um levantamento da Secretaria de Segurança Pública mostra que 15% do efetivo das polícias militar, civil e científica do Estado de São Paulo são mulheres. Dos 127,7 mil policiais, mais de 18 mil são mulheres. Muitas delas têm diploma universitário e pós-graduação.
Em Ribeirão Preto, o Comando de Policiamento e o 3º Batalhão da Polícia Militar do Interior possuem cerca de mil policiais. Desse total, 79 são mulheres nos cargos de oficial, sargento, cabo e soldado. Neste contingente, muitas assumem posições de destaque. É o caso da primeira-tenente Marililzi Scomparin, 37 anos, casada e mãe de um rapaz de 19 anos e de uma menina de 8 anos. Ela está na polícia militar há 17 anos, dos quais quinze com atuação na rua.
A tenente conta que durante todo este tempo sempre participou de operações especiais e lembra de um momento inusitado para ela. “Durante todo este tempo atendemos muitas ocorrências, mas a que mais me marcou foi um roubo em andamento, quando cinco pessoas eram reféns: o pai, a mãe, duas filhas e o namorado de uma delas. Depois de muito trabalho e negociação, conseguimos libertá-las e elas pularam no meu pescoço, agradeceram a Deus. Esta foi a ocorrência mais bonita que já atendi”.
Ela conta que a sua entrada na corporação foi por vocação. Desde menina, quando via o trabalho das policiais, achava tudo muito bonito. Fala que mesmo sendo casada com um militar atualmente, ele em nada participou na decisão dela, pois quando eles começaram a namorar, ela já havia ingressado na polícia feminina. A policial atuou na rua comandando um pelotão de 70 homens. Ela diz que não teve nenhuma dificuldade com eles. “Eles nos tratam com respeito, como profissionais”. Reconhece o risco da sua profissão e acha que a policial “tem que viver cada minuto da sua vida como se fosse o último”. Scomparin vê como sacerdócio o que faz e entende que quem entra na polícia em busca de estabilidade e salário não consegue cumprir os trinta anos de carreira. “Você precisa gostar muito de ajudar as pessoas. Tem que trabalhar de forma a estar sempre servindo o próximo”.
O ingresso da mulher na Polícia Militar se dá através do Centro de Formação de Soldados e também da Academia de Policiamento do Barro Branco, em vestibular realizado pela Fuvest.
Apesar dos elogios por causa da organização e paciência com o serviço, elas gostam mesmo é do trabalho de rua. É o que acontece com a investigadora Adriana Aparecida Marques, 32, solteira. Ela está há 11 anos na profissão. Adriana investiga crimes, uma função que, para ela, é pouco comum entre as mulheres. “A tensão é diária. Mas, medo do trabalho nas ruas, nem pensar. Eu estou pronta para o que der e vier”, afirma.
Ela conta que quando prestou concurso, na turma dela só tinha uma outra mulher, ou seja, uma quase exclusividade dos homens até então. Neste tempo como policial, já trabalhou por seis anos na Dise (Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes) e agora foi transferida para o Segundo Distrito, que fica na praça da Igreja São Antônio, no bairro dos Campos Elíseos, em Ribeirão Preto, onde ela convive com outros quatro investigadores homens. Seu objetivo é ser delegada. Sua convicção é tanta que concluiu, em 2000, a faculdade de Direito e já prestou dois concursos, mas ainda não consegui passar. “Não vou desistir enquanto não chegar lá”, comenta. No Estado de São Paulo, segundo a Secretaria de Segurança Pública, são 157 delegadas titulares, com salário mensal de R$ 2.550. Para quem inicia a carreira é obrigatório ser bacharel em Direito.