| José
Olávio de Miranda
Um levantamento da Secretaria
de Segurança Pública mostra que 15% do
efetivo das polícias militar, civil e científica
do Estado de São Paulo são mulheres. Dos
127,7 mil policiais, mais de 18 mil são mulheres.
Muitas delas têm diploma universitário
e pós-graduação.
Em Ribeirão Preto, o Comando de Policiamento
e o 3º Batalhão da Polícia Militar
do Interior possuem cerca de mil policiais. Desse total,
79 são mulheres nos cargos de oficial, sargento,
cabo e soldado. Neste contingente, muitas assumem posições
de destaque. É o caso da primeira-tenente Marililzi
Scomparin, 37 anos, casada e mãe de um rapaz
de 19 anos e de uma menina de 8 anos. Ela está
na polícia militar há 17 anos, dos quais
quinze com atuação na rua.
A tenente conta que durante todo este tempo sempre participou
de operações especiais e lembra de um
momento inusitado para ela. “Durante todo este
tempo atendemos muitas ocorrências, mas a que
mais me marcou foi um roubo em andamento, quando cinco
pessoas eram reféns: o pai, a mãe, duas
filhas e o namorado de uma delas. Depois de muito trabalho
e negociação, conseguimos libertá-las
e elas pularam no meu pescoço, agradeceram a
Deus. Esta foi a ocorrência mais bonita que já
atendi”.
Ela conta que a sua entrada na corporação
foi por vocação. Desde menina, quando
via o trabalho das policiais, achava tudo muito bonito.
Fala que mesmo sendo casada com um militar atualmente,
ele em nada participou na decisão dela, pois
quando eles começaram a namorar, ela já
havia ingressado na polícia feminina. A policial
atuou na rua comandando um pelotão de 70 homens.
Ela diz que não teve nenhuma dificuldade com
eles. “Eles nos tratam com respeito, como profissionais”.
Reconhece o risco da sua profissão e acha que
a policial “tem que viver cada minuto da sua vida
como se fosse o último”. Scomparin vê
como sacerdócio o que faz e entende que quem
entra na polícia em busca de estabilidade e salário
não consegue cumprir os trinta anos de carreira.
“Você precisa gostar muito de ajudar as
pessoas. Tem que trabalhar de forma a estar sempre servindo
o próximo”.
O ingresso da mulher na Polícia Militar se dá
através do Centro de Formação de
Soldados e também da Academia de Policiamento
do Barro Branco, em vestibular realizado pela Fuvest.
Apesar dos elogios por causa da organização
e paciência com o serviço, elas gostam
mesmo é do trabalho de rua. É o que acontece
com a investigadora Adriana Aparecida Marques, 32, solteira.
Ela está há 11 anos na profissão.
Adriana investiga crimes, uma função que,
para ela, é pouco comum entre as mulheres. “A
tensão é diária. Mas, medo do trabalho
nas ruas, nem pensar. Eu estou pronta para o que der
e vier”, afirma.
Ela conta que quando prestou concurso, na turma dela
só tinha uma outra mulher, ou seja, uma quase
exclusividade dos homens até então. Neste
tempo como policial, já trabalhou por seis anos
na Dise (Delegacia de Investigação Sobre
Entorpecentes) e agora foi transferida para o Segundo
Distrito, que fica na praça da Igreja São
Antônio, no bairro dos Campos Elíseos,
em Ribeirão Preto, onde ela convive com outros
quatro investigadores homens. Seu objetivo é
ser delegada. Sua convicção é tanta
que concluiu, em 2000, a faculdade de Direito e já
prestou dois concursos, mas ainda não consegui
passar. “Não vou desistir enquanto não
chegar lá”, comenta. No Estado de São
Paulo, segundo a Secretaria de Segurança Pública,
são 157 delegadas titulares, com salário
mensal de R$ 2.550. Para quem inicia a carreira é
obrigatório ser bacharel em Direito.
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