Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

GERAL

Bonfim Paulista ganha
sistema de monitoramento

Computador doente... e agora?

Distrito empresarial não se
desenvolve em Ribeirão Preto

Mercado dominado por homens vaidosos

A arte circense conquista seu espaço

Aumenta procura pela vida religiosa

Transporte coletivo descontenta população

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

A realidade das favelas

Uso incorreto da água causa superexploração do Aqüífero Guarani

Encontro promove debate sobre ética na TV

Quando roubar é uma doença

Participação de mulheres na polícia em São Paulo completa 50 anos

Inimigo silencioso

Lembranças da Segunda Guerra Mundial

Pesquisadores da USP utilizam células-tronco no tratamento de doenças

A união faz a praça

Ribeirão ocupa o terceiro lugar no ranking do Estado em número de portadores do HIV

Educação superior a distância

A crise da meia-idade

Ciúme: medo disfarçado de amor

Mulheres ocupam cargos de chefia

Hotel para cavalos com direito
a convênio médico

Setor hoteleiro cresce em Ribeirão Preto

EDITORIAL E ARTIGOS

Brasil do terrorismo urbano

Porque ser publicitário

Editorial

Expediente

 

Quando roubar é uma doença

Foto: Tatiana Serebrinsky

Michele Pieri
Viviane Gomide

 

Ainda existem poucos estudos e escassa literatura sobre a enfermidade, mas se sabe que indivíduos acometidos por este transtorno podem apresentar alguns distúrbios, entre eles, o mais comum é a depressão. O termo cleptomania foi criado há mais de dois séculos para descrever o impulso de roubar objetos desnecessários ou de pequeno valor. Segundo Sílvia Helena Cardoso, psicobióloga, os objetos não são roubados por sua utilidade imediata ou seu valor monetário. O sujeito pode, ao contrário, querer descartá-los, dá-los ou acumulá-los.
Presume-se que a doença seja um distúrbio raro, embora poucos estudos tenham sido feitos sobre sua presença na população. “Estudos feitos com ladrões de lojas sugerem que somente uma pequena parcela, de 1 a 8%, represente casos verdadeiros de cleptomania. A doença pode atingir crianças, adultos e idosos, indistintamente, sendo mais comum em mulheres”, acrescenta Sílvia.
De acordo com a psicóloga Nancy Erlach, muitos dos indivíduos com cleptomania evitam furtar quando alguma conseqüência mais grave pode acontecer. “Tive o caso de um paciente que não se controlava de forma alguma, porém, quando percebia que havia câmeras no estabelecimento ou que a polícia pudesse chegar, com certeza, abortava a ação”.
A novela da Rede Globo, “América”, exibida em horário nobre, já começa a retratar o problema através da personagem de Cristiane Torloni. As emoções da personagem oscilam entre o desejo de possuir algo, a tensão em obter e não ser pega em flagrante e a culpa pelo prazer que se instala após o delito.
Nancy explica que a principal causa da cleptomania é uma forte carência de carinho e atenção. O processo costuma ter início na infância. “A criança tem uma profunda falta de afeto que a leva, geralmente, ao desespero”. Segundo ela, os pais devem tomar muito cuidado, pois a falta de tempo e o pouco contato com a criança podem desencadear este processo sem que se perceba. “As crianças precisam de atenção, carinho, amor e compreensão. Sem isso, elas, que ainda estão formando seus sentimentos, podem desviar-se para qualquer compulsão, entre elas a cleptomania”.
A psicóloga revela que quando as crianças sentem-se frustradas, roubam na tentativa de conseguir o amor que precisam e não recebem dentro de casa. “Nesses casos, o objeto roubado assume um valor simbólico. Ela está, na verdade, resgatando o amor que lhe falta”.
Para Sílvia Helena, os sintomas mais comuns associados ao cleptomaníaco parecem estar ligados ao distúrbio do humor. A maioria dos estudos de “ladrões anormais” (pessoas que foram apreendidas roubando e encaminhadas para avaliação psiquiátrica) tem descrito taxas elevadas de sintomas depressivos. Dos 57 pacientes cleptomaníacos, 57% mostraram sintomas afetivos e 36% provavelmente encontrariam um diagnóstico para depressão.
Adultos com cleptomania roubam porque isto oferece alívio ou conforto emocional, “Infelizmente, poucas pessoas procuram tratamento até que são pegas roubando”, alerta psicóloga Edenilce Baldini Benetti.
Não existem estudos controlados de tratamentos somáticos ou psicológicos para cleptomania. Edenilce afirma que a ajuda, muitas vezes, vem com o auxílio de medicação associada à terapia. “O autoconhecimento é essencial nestes casos. Geralmente o distúrbio atinge mais mulheres e os sintomas vêm associados à instabilidade de humor. Através da fala, a paciente vai reorganizando sua história emocional e suas vivências. O processo é lento, mas indispensável para trazer alívio e respostas para o indivíduo”, finalizou.
Nancy explica que o melhor a fazer é tratar o paciente com terapia e realizar análise contínua, já que o desaparecimento total e definitivo da cleptomania é difícil. Ao menor sinal, os pais devem procurar um profissional capacitado para tentar parar a evolução da cleptomania. “O trabalho realizado na psicoterapia é buscar o desenvolvimento do autocontrole da pessoa. Devemos ter um diálogo aberto com o paciente e jamais culpá-lo pelo seu ato. É importante fazê-lo entender o que a enfermidade causa para ele e para a sociedade, que envolve família e amigos”, finaliza a psicóloga.