Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

GERAL

Bonfim Paulista ganha
sistema de monitoramento

Computador doente... e agora?

Distrito empresarial não se
desenvolve em Ribeirão Preto

Mercado dominado por homens vaidosos

A arte circense conquista seu espaço

Aumenta procura pela vida religiosa

Transporte coletivo descontenta população

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

A realidade das favelas

Uso incorreto da água causa superexploração do Aqüífero Guarani

Encontro promove debate sobre ética na TV

Quando roubar é uma doença

Participação de mulheres na polícia em São Paulo completa 50 anos

Inimigo silencioso

Lembranças da Segunda Guerra Mundial

Pesquisadores da USP utilizam células-tronco no tratamento de doenças

A união faz a praça

Ribeirão ocupa o terceiro lugar no ranking do Estado em número de portadores do HIV

Educação superior a distância

A crise da meia-idade

Ciúme: medo disfarçado de amor

Mulheres ocupam cargos de chefia

Hotel para cavalos com direito
a convênio médico

Setor hoteleiro cresce em Ribeirão Preto

EDITORIAL E ARTIGOS

Brasil do terrorismo urbano

Porque ser publicitário

Editorial

Expediente

 

Encontro promove debate sobre ética na TV

 

Adilson Baptista
Gabriel Rosa

 

Para debater os rumos atuais da ética televisiva (ou a falta dela), foi realizado no Espaço UGT (União Geral dos Trabalhadores) um debate idealizado e organizado pelo vereador Beto Cangussu, do PT de Ribeirão Preto, e pelo deputado federal Orlando Fantasini, do PT de São Paulo – criador do Projeto de Lei: “Quem financia a baixaria é contra a cidadania”. O evento foi co-patrocinado pelo Memorial da Classe Trabalhadora, pelo Seminário Gramsci e pela Comissão dos Diretos Humanos da Câmara Municipal, presidida pelo vereador Beto Cangussu. A mesa de debate foi composta pelo próprio deputado Fantasini, pela Coordenadora do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá e do Centro de Cidadania Hélio Bicudo – professora Maria Cristina Tarrega Blanco –, pelo promotor de justiça Antônio Alberto Machado e pela educadora Marina Lemos Silveira Freitas.
Segundo o deputado Fantasini, a campanha teve que se apropriar de um termo popular – baixaria – para conseguir criar vasos comunicantes com o conjunto da sociedade e das pessoas. “Quando se tenta discutir a questão da democratização dos meios de comunicação ou mesmo a qualidade dos programas apresentados, o debate torna-se um tanto elitizado. Sendo assim, nós decidimos usar um termo popular para estabelecer um diálogo mais eficiente com a sociedade como um todo”, revelou. O deputado levantou, ainda, outras questões, como a concessão e o monopólio dos veículos de comunicação, a necessidade de uma nova legislação para a televisão digital e, principalmente, o papel da mídia, e em particular da televisão, na configuração dos imaginários sociais.
Conforme explicou o deputado, o alvo do projeto não é a programação em si, mas sim os anunciantes que a financiam, pois, segundo ele, “a única linguagem que os meios de comunicação entendem é a da lucratividade, ou seja, o anúncio e a audiência”. O canal escolhido para a divulgação da agenda e da pauta do projeto foi a Internet, através do site www.eticanatv.org.br, que recebe críticas, sugestões e elabora, em períodos de quatro em quatro meses, um ranking com os programas “campeões” de reclamações. Um dos motivos da escolha da web é a sua imunidade em relação aos crivos da chamada grande mídia.
A professora Maria Cristina enfatizou o preconceito contra as mulheres nas novelas e nas propagandas de cerveja. Segundo ela, a mídia cria um padrão de beleza totalmente distante da realidade, estimulando “dietas mirabolantes, cirurgias estéticas desnecessárias e, ainda, reforçando a submissão feminina perante a figura masculina”. A professora conclui que “tais inversões de valores acabam por degradar o próprio conceito de família e de relações afetivas”. Já o promotor Antônio Alberto de Machado analisou a viabilidade do projeto de lei e a dificuldade para a sua tramitação, devido à forte pressão das emissoras – o chamado lobby – no sentido de vetá-lo. E não deixou de expressar seu ceticismo diante da questão, pois, como argumentou, “não haverá democracia no Brasil enquanto o controle dos meios de comunicação estiver nas mãos de seis ou sete conglomerados”, citando Brizola.
A educadora Marina Lemos Silveira abordou o papel da televisão na educação das pessoas, citando o exemplo de crianças que se tornaram subitamente agressivas porque assistiam a desenhos e seriados que estimulam a violência e a hostilidade.
Por fim, Fantasini fez questão de ressaltar que, apesar de toda a vigilância crítica, o projeto não é contra a televisão e sim contra a baixa qualidade dos programas veiculados. “A única maneira de reverter a atual correlação de forças é através da pressão de movimentos sociais e de todo o conjunto da sociedade civil”, concluiu.