| Murilo
Bereta
O subsolo do município
de Ribeirão Preto é abastecido pela água
do Aqüífero Guarani, a maior reserva subterrânea
de água doce da América do Sul. O crescimento
da cidade, sem o planejamento adequado, e o uso irracional
da água são fatores que colocam em risco
o Aqüífero para as próximas gerações.
Com uma população superior a 500 mil habitantes,
Ribeirão Preto é uma das poucas cidades
do Estado de São Paulo abastecida integralmente
pelo Aqüífero Guarani. Segundo dados do
DAERP (Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão
Preto), a cidade possui cerca de 99 poços artesianos
em funcionamento, que são responsáveis
por 13.400m³ de água por hora. Apesar disso,
já começa a faltar água nas residências
de alguns bairros. Somente na terceira semana do mês
de abril, os moradores de cinco bairros da cidade tiveram
problemas com a água de suas torneiras, entre
eles estavam: Sumaré, Monte Alegre e Vila Tibério.
Informações do DAEE (Departamento de Água
e Energia Elétrica), mostram que um dos problemas
mais constantes é o desperdício da água.
Enquanto a média de consumo diária do
homem é de 200 litros, em Ribeirão esse
número sobe para 348 litros por pessoa.
O ex-secretário do Meio Ambiente do município,
Gilberto Abreu, avisa que o uso indiscriminado da água
do Aqüífero Guarani pode fazer com que os
ribeirãopretanos passem por uma situação
preocupante no futuro. Estudos já comprovaram
uma super exploração do Aqüífero
no centro da cidade. “Na região central,
a reserva de água já baixou mais de trinta
metros”, alerta Gilberto.
Adalton Santini, engenheiro da DAERP, afirma que o desperdício
se aproxima de 60% da água captada no município.
Neste cálculo estão computadas todas as
maneiras pelas quais a água é desviada
da medição oficial, ou seja, os vazamentos
das antigas tubulações e o furto do líquido
em ligações clandestinas. Segundo ele,
são aproximadamente 7.880.640 litros de água
desperdiçados por hora.
Para Gilberto Abreu, a recarga do Aqüífero
é outra preocupação importante.
As águas da chuva infiltradas no solo servem
para a recarga do Guarani, mas a constante urbanização
do município (novos loteamentos residenciais,
ruas asfaltadas e calçadas) faz com que o líquido
não escoe pela terra, dificultando a recarga
do Aqüífero. “Hoje, a zona urbana
já ocupa metade do município”, relata
Gilberto.
A SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado
de São Paulo), que está presente em 368
municípios paulistas, informa que existem mais
de mil poços explorados no Estado. Boa parcela
da água desses poços auxilia na geração
de emprego e renda em atividades industriais, agroindustriais,
turísticas e comerciais.
Dono de um lava-rápido, comércio ligado
diretamente ao uso da água, José Ronaldo
Ribeiro declara que exige de seus funcionários
o uso racional do líquido, mesmo assim, gasta
em média 85 mil litros por mês. Ribeiro
diz que está preocupado com a falta de consciência
da população e com um possível
racionamento no futuro. “Deveríamos ter
uma campanha de conscientização para que
as pessoas parem de varrer a calçada com água
e comecem a utilizar a vassoura”. Ele também
afirma ser favorável à criação
de uma multa municipal para punir quem utiliza o líquido
de forma inadequada.
Sobre uma possível solução para
amenizar o problema da preservação do
Aqüífero Guarani, Gilberto Abreu conclui
que, além da campanha de conscien-tização,
também é necessária uma política
voltada ao planejamento de uso e ocupação
do solo e do Plano Diretor, projetos que auxiliarão
no desenvolvimento organizado da cidade.
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