Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

GERAL

Bonfim Paulista ganha
sistema de monitoramento

Computador doente... e agora?

Distrito empresarial não se
desenvolve em Ribeirão Preto

Mercado dominado por homens vaidosos

A arte circense conquista seu espaço

Aumenta procura pela vida religiosa

Transporte coletivo descontenta população

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

A realidade das favelas

Uso incorreto da água causa superexploração do Aqüífero Guarani

Encontro promove debate sobre ética na TV

Quando roubar é uma doença

Participação de mulheres na polícia em São Paulo completa 50 anos

Inimigo silencioso

Lembranças da Segunda Guerra Mundial

Pesquisadores da USP utilizam células-tronco no tratamento de doenças

A união faz a praça

Ribeirão ocupa o terceiro lugar no ranking do Estado em número de portadores do HIV

Educação superior a distância

A crise da meia-idade

Ciúme: medo disfarçado de amor

Mulheres ocupam cargos de chefia

Hotel para cavalos com direito
a convênio médico

Setor hoteleiro cresce em Ribeirão Preto

EDITORIAL E ARTIGOS

Brasil do terrorismo urbano

Porque ser publicitário

Editorial

Expediente

 

Uso incorreto da água causa superexploração do Aqüífero Guarani


Foto: Tatiana Serebrinsky

Murilo Bereta

 

O subsolo do município de Ribeirão Preto é abastecido pela água do Aqüífero Guarani, a maior reserva subterrânea de água doce da América do Sul. O crescimento da cidade, sem o planejamento adequado, e o uso irracional da água são fatores que colocam em risco o Aqüífero para as próximas gerações.
Com uma população superior a 500 mil habitantes, Ribeirão Preto é uma das poucas cidades do Estado de São Paulo abastecida integralmente pelo Aqüífero Guarani. Segundo dados do DAERP (Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto), a cidade possui cerca de 99 poços artesianos em funcionamento, que são responsáveis por 13.400m³ de água por hora. Apesar disso, já começa a faltar água nas residências de alguns bairros. Somente na terceira semana do mês de abril, os moradores de cinco bairros da cidade tiveram problemas com a água de suas torneiras, entre eles estavam: Sumaré, Monte Alegre e Vila Tibério.
Informações do DAEE (Departamento de Água e Energia Elétrica), mostram que um dos problemas mais constantes é o desperdício da água. Enquanto a média de consumo diária do homem é de 200 litros, em Ribeirão esse número sobe para 348 litros por pessoa.
O ex-secretário do Meio Ambiente do município, Gilberto Abreu, avisa que o uso indiscriminado da água do Aqüífero Guarani pode fazer com que os ribeirãopretanos passem por uma situação preocupante no futuro. Estudos já comprovaram uma super exploração do Aqüífero no centro da cidade. “Na região central, a reserva de água já baixou mais de trinta metros”, alerta Gilberto.
Adalton Santini, engenheiro da DAERP, afirma que o desperdício se aproxima de 60% da água captada no município. Neste cálculo estão computadas todas as maneiras pelas quais a água é desviada da medição oficial, ou seja, os vazamentos das antigas tubulações e o furto do líquido em ligações clandestinas. Segundo ele, são aproximadamente 7.880.640 litros de água desperdiçados por hora.
Para Gilberto Abreu, a recarga do Aqüífero é outra preocupação importante. As águas da chuva infiltradas no solo servem para a recarga do Guarani, mas a constante urbanização do município (novos loteamentos residenciais, ruas asfaltadas e calçadas) faz com que o líquido não escoe pela terra, dificultando a recarga do Aqüífero. “Hoje, a zona urbana já ocupa metade do município”, relata Gilberto.
A SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), que está presente em 368 municípios paulistas, informa que existem mais de mil poços explorados no Estado. Boa parcela da água desses poços auxilia na geração de emprego e renda em atividades industriais, agroindustriais, turísticas e comerciais.
Dono de um lava-rápido, comércio ligado diretamente ao uso da água, José Ronaldo Ribeiro declara que exige de seus funcionários o uso racional do líquido, mesmo assim, gasta em média 85 mil litros por mês. Ribeiro diz que está preocupado com a falta de consciência da população e com um possível racionamento no futuro. “Deveríamos ter uma campanha de conscientização para que as pessoas parem de varrer a calçada com água e comecem a utilizar a vassoura”. Ele também afirma ser favorável à criação de uma multa municipal para punir quem utiliza o líquido de forma inadequada.
Sobre uma possível solução para amenizar o problema da preservação do Aqüífero Guarani, Gilberto Abreu conclui que, além da campanha de conscien-tização, também é necessária uma política voltada ao planejamento de uso e ocupação do solo e do Plano Diretor, projetos que auxiliarão no desenvolvimento organizado da cidade.