Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

GERAL

Bonfim Paulista ganha
sistema de monitoramento

Computador doente... e agora?

Distrito empresarial não se
desenvolve em Ribeirão Preto

Mercado dominado por homens vaidosos

A arte circense conquista seu espaço

Aumenta procura pela vida religiosa

Transporte coletivo descontenta população

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

A realidade das favelas

Uso incorreto da água causa superexploração do Aqüífero Guarani

Encontro promove debate sobre ética na TV

Quando roubar é uma doença

Participação de mulheres na polícia em São Paulo completa 50 anos

Inimigo silencioso

Lembranças da Segunda Guerra Mundial

Pesquisadores da USP utilizam células-tronco no tratamento de doenças

A união faz a praça

Ribeirão ocupa o terceiro lugar no ranking do Estado em número de portadores do HIV

Educação superior a distância

A crise da meia-idade

Ciúme: medo disfarçado de amor

Mulheres ocupam cargos de chefia

Hotel para cavalos com direito
a convênio médico

Setor hoteleiro cresce em Ribeirão Preto

EDITORIAL E ARTIGOS

Brasil do terrorismo urbano

Porque ser publicitário

Editorial

Expediente

 

A realidade das favelas

Foto: Tatiana Serebrinsky

Tassiane Mariano


Uma população estimada de 19 mil pessoas, distribuída em cerca de 3 mil barracos, vive com rede de água, esgoto e energia elétrica clandestinas, ruas sem asfalto, moradias de madeira e alvenaria, sem o serviço de coleta de lixo, sem telefone público e com alto índice de analfabetismo. Esta é a realidade dos moradores das favelas de Ribeirão Preto. A cidade possui 31 favelas, a maioria na região norte, em lugares que, segundo a Secretaria de Planejamento, seriam destinadas às áreas verdes, de lazer ou institucionais.
Cerca de 90% das pessoas ou famílias vieram de cidades dos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Paraná, Bahia, Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Eles deixaram tudo o que tinham para buscar uma oportunidade de emprego. Esta situação fez com que o atual governo municipal preparasse um projeto de desfavelamento para a cidade. A coordenadora do programa, Carolina Queiroz, explica que essa proposta de reabilitação dos moradores das favelas está dividida em três partes fundamentais.
A primeira é gerar um sistema de renda para as famílias, encaminhando as pessoas para cursos profissionalizantes. “Com educação e profissão, a auto-estima dessas pessoas melhora”, afirma. A segunda parte prevê encontrar trabalho, através de parcerias da prefeitura com empresas locais. “Há necessidade de desenvolver um trabalho mais complexo com os adolescentes, é preciso ocupá-los. Já os adultos serão reaproveitados em atividades de construção civil, limpeza e reciclagem, por exemplo”, acrescenta a coordenadora. A terceira parte é gerar condições para se fazer um mutirão de construção, também através de parcerias, que disponibilizaria os materiais necessários para as obras das moradias. “Com moradia e emprego, não há necessidade de voltarem para a favela”, enfatiza.
Carolina diz ainda que o Ministério Público aprovou o projeto e vai solicitar R$ 180 milhões para realizá-lo. “Fizemos uma reunião com os representantes de cada favela para apresentar o projeto e para tirar dúvidas. Queremos saber do que mais precisam, quais são suas principais necessidades para, juntos, resolvermos este problema. Estamos esperando uma resposta”, diz ela.
“Estamos apostando neste projeto, mas precisamos que todos contribuam. É um trabalho para ser realizado em longo prazo. Com certeza, não teremos uma resposta imediata. Vamos trabalhar com a remoção de uma favela por vez, para não perdermos o controle. Começaremos pelas maiores, as favelas das Mangueiras e a do Simione”, afirma Carolina.
Para Cristiane, 27, que mora na favela da Mangueira há 26 anos, esse é só mais um projeto como todos os outros que foram apresentados nos últimos dez anos, sem que saíssem do papel. “É difícil retirar os moradores daqui, pois se estamos aqui é por falta de melhores condições de vida. Aqui, não pagamos aluguel, cada um cuida da sua vida, todos procuram se ajudar. Afinal de contas, estamos nas mesmas condições”. Para ela, outro problema é conseguir um emprego. “O preconceito é grande, as pessoas acham que quem vive na favela é gente que não presta. Só que também moram pessoas honestas, que vivem aqui por falta de opção. O que eu mais quero é ter minha própria casa e condições de dar uma vida melhor para meu filho”.
Elizabete Severino Cosmo, 40, moradora da favela há 8 anos, relata que é bom viver onde está. “A convivência com os outros moradores é boa, aqui é seguro, ninguém mexe nas coisas dos outros. O único problema é a polícia que invade nossas casas, não respeita nossa privacidade nem ninguém. Só saio daqui se for para ter uma vida melhor onde não me olhem com ar desconfiado quando eu disser de onde vim”.
Já Maria Cleide diz que o que mais quer é sair da favela.”Tenho três filhos, aqui não é lugar para criá-los. Esta é a primeira escola para as drogas e a marginalidade. Só estou aqui por não ter condições de viver num lugar melhor. Vim de Fortaleza em busca de uma vida mais digna, foi ilusão. Paguei R$ 1,5 mil por esta casa. Era tudo que eu tinha. Aqui se compram as paredes, o telhado e a permissão para morar, porque o resto não é nosso. Tomara que esse projeto dê certo”, comenta.
A opinião das crianças é outra. “Todo mundo é amigo. Nós estudamos, brincamos e não queremos sair”. Alguns adolescentes têm a mesma opinião das crianças. “Aqui conhecemos todo mundo, há muito respeito, é um bom lugar. A maior dificuldade que encontramos é com relação ao emprego e à continuidade dos estudos”.