Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

GERAL

Bonfim Paulista ganha
sistema de monitoramento

Computador doente... e agora?

Distrito empresarial não se
desenvolve em Ribeirão Preto

Mercado dominado por homens vaidosos

A arte circense conquista seu espaço

Aumenta procura pela vida religiosa

Transporte coletivo descontenta população

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

A realidade das favelas

Uso incorreto da água causa superexploração do Aqüífero Guarani

Encontro promove debate sobre ética na TV

Quando roubar é uma doença

Participação de mulheres na polícia em São Paulo completa 50 anos

Inimigo silencioso

Lembranças da Segunda Guerra Mundial

Pesquisadores da USP utilizam células-tronco no tratamento de doenças

A união faz a praça

Ribeirão ocupa o terceiro lugar no ranking do Estado em número de portadores do HIV

Educação superior a distância

A crise da meia-idade

Ciúme: medo disfarçado de amor

Mulheres ocupam cargos de chefia

Hotel para cavalos com direito
a convênio médico

Setor hoteleiro cresce em Ribeirão Preto

EDITORIAL E ARTIGOS

Brasil do terrorismo urbano

Porque ser publicitário

Editorial

Expediente

 

Transporte coletivo descontenta população


Luana Vianna

 

Os moradores de Ribeirão Preto que dependem do transporte coletivo da cidade enfrentam dificuldades diariamente. Poucos ônibus em circulação, pontos de espera inadequados e falta de manutenção tornam as viagens cansativas, apontam os usuários. Outro problema registrado é o alto custo do serviço.
Atualmente, três empresas são responsáveis pelo transporte público. Ribeirão Preto conta com uma frota de, aproximadamente, 300 ônibus, em 110 linhas. A Transcorp possui 34 linhas, a Rápido D’Oeste 37 e a Turb (Andorinha) 39.
A tarifa sofreu reajuste e subiu em média 8,77% em fevereiro. O vale transporte comum custa R$ 1,80 e o “esticadinho” (integrado) R$ 2. Segundo pesquisa realizada pelo Ministério das Cidades, em municípios com mais de 60 mil habitantes, 35% da população se desloca a pé, contra apenas 32% que usa o transporte coletivo. A causa, nas grandes cidades, pode estar no alto preço do serviço. Ainda segundo a pesquisa, muitas famílias gastam mais com transporte do que com sustento. Até 22% do orçamento de famílias com ganho de até cinco salários mínimos é gasto com transporte, contra 16% com alimentação.
Em Ribeirão, um dos pontos mais prejudicados é o bairro Parque Industrial Lagoinha. Ele abriga um grande Shopping Center, a maior concentração de indústrias da cidade e o Fórum. Essas características levam milhares de pessoas, de diversos pontos da cidade, ao mesmo destino. Somente no shopping são cerca de 2.800 funcionários. Mas a quantidade de ônibus destinada ao bairro é pequena em horários de pico, que deixa os ônibus lotados, em quase todas as linhas que leve a ele.
A estudante Talita Moreira Santos utiliza ônibus de acesso ao bairro todos os dias. “Os ônibus estão sempre lotados. Mesmo havendo extras, são poucos em horários de pico, porque é justamente quando mais precisamos deles. Depois de um dia cansativo de trabalho precisamos enfrentar a superlotação”, afirma. Os pontos de ônibus também não trazem comodidade. A maioria não possui cobertura, o que obriga os usuários a permanecerem sob as condições do clima.
Essa realidade não se restringe ao bairro. Muitos usuários precisam usar até quatro ônibus por dia. “Como não há nenhum diretamente ao meu trabalho, preciso fazer baldeação no centro e ficar 20 minutos esperando o próximo. Entre casa, espera e trabalho, perco uma hora e vinte minutos por viagem. Ou seja, são mais de duas horas e meia por dia perdidas em um transporte coletivo falho”, disse a professora Ariane A. Antolini, que mora no Simioni e trabalha no Jardim Sumaré.
O intervalo entre os ônibus é grande e essa é uma das maiores queixas dos usuários. A maioria mantém o intervalo de 25 minutos, mas em alguns horários o intervalo é de até 40 minutos a uma hora, mesmo em dias normais, como é o caso das linhas Parque Shopping, Recreio Internacional, Citty Ribeirão, Quintino I, Jardim Recreio e Fazenda Experimental. E a viagem pode se tornar mais longa nos finais de semana. Muitos ônibus são tirados de circulação e o intervalo entre eles se torna ainda maior.
O estagiário Marcos Vinícius Cardoso Souza também sofre com a qualidade dos serviços oferecidos pelas empresas de transporte. “O preço é muito alto e não é compensado pela qualidade. Constantemente há ônibus mal conservados e bancos quebrados. Às vezes, os ônibus adiantam ou atrasam muito e nós ficamos sem transporte. As condições são horríveis”, confirmou Marcos.
Segundo o Gerente de Transporte Coletivo da Transerp, Reynaldo Lapate, o serviço prestado à população é de boa qualidade. “Comparado com cidades do mesmo porte que Ribeirão, a frota conta com veículos novos, com cerca de três ou quatro anos de uso. Possuímos um sistema de integração moderno e, na maioria dos casos, sem superlotação. O que atrapalha muito em horários de pico são as condições do tráfego”, disse.
Para melhor fiscalização da Transerp, Lapate enfatiza alguns pontos. Para ele, os terminais de ônibus foram desativados, o que prejudica a fiscalização. “Hoje falta também um quadro de fiscalização estruturado, que antigamente era mais completo, mas muitos funcionários se aposentaram e não houve restauração no quadro de funcionários”. Em relação às tarifas, Lapate afirma ser compatível com as de cidades de grande porte. “Quando aumenta a distância, aumenta o custo e as tarifas tendem a crescer”.
A assessoria da Rápido D’Oeste concorda. Segundo ela, não há defasagem na frota da cidade e a empresa consegue atender a demanda mesmo em horários de pico. Já a demora dos ônibus, para a empresa, é um problema mais complexo. “Seria um problema mais social do que da empresa. Poderiam fazer um projeto em que diminua o fluxo de veículos pequenos na área central, criando corredores exclusivos para ônibus”. Em relação aos preços cobrados, a assessoria afirma ser o preço justo. ”É uma tarifa justa comparando-se aos custos diretos que a empresa tem com o transporte coletivo. Acreditamos ter uma das melhores frotas do Brasil”, afirmou.
Apesar dos problemas apontados, os usuários reclamam que andar de ônibus em Ribeirão Preto tem um custo alto. A reclamação dos passageiros é freqüente e os problemas continuam presentes no dia-a-dia da população.