| Luana
Vianna
Os moradores de Ribeirão
Preto que dependem do transporte coletivo da cidade
enfrentam dificuldades diariamente. Poucos ônibus
em circulação, pontos de espera inadequados
e falta de manutenção tornam as viagens
cansativas, apontam os usuários. Outro problema
registrado é o alto custo do serviço.
Atualmente, três empresas são responsáveis
pelo transporte público. Ribeirão Preto
conta com uma frota de, aproximadamente, 300 ônibus,
em 110 linhas. A Transcorp possui 34 linhas, a Rápido
D’Oeste 37 e a Turb (Andorinha) 39.
A tarifa sofreu reajuste e subiu em média 8,77%
em fevereiro. O vale transporte comum custa R$ 1,80
e o “esticadinho” (integrado) R$ 2. Segundo
pesquisa realizada pelo Ministério das Cidades,
em municípios com mais de 60 mil habitantes,
35% da população se desloca a pé,
contra apenas 32% que usa o transporte coletivo. A causa,
nas grandes cidades, pode estar no alto preço
do serviço. Ainda segundo a pesquisa, muitas
famílias gastam mais com transporte do que com
sustento. Até 22% do orçamento de famílias
com ganho de até cinco salários mínimos
é gasto com transporte, contra 16% com alimentação.
Em Ribeirão, um dos pontos mais prejudicados
é o bairro Parque Industrial Lagoinha. Ele abriga
um grande Shopping Center, a maior concentração
de indústrias da cidade e o Fórum. Essas
características levam milhares de pessoas, de
diversos pontos da cidade, ao mesmo destino. Somente
no shopping são cerca de 2.800 funcionários.
Mas a quantidade de ônibus destinada ao bairro
é pequena em horários de pico, que deixa
os ônibus lotados, em quase todas as linhas que
leve a ele.
A estudante Talita Moreira Santos utiliza ônibus
de acesso ao bairro todos os dias. “Os ônibus
estão sempre lotados. Mesmo havendo extras, são
poucos em horários de pico, porque é justamente
quando mais precisamos deles. Depois de um dia cansativo
de trabalho precisamos enfrentar a superlotação”,
afirma. Os pontos de ônibus também não
trazem comodidade. A maioria não possui cobertura,
o que obriga os usuários a permanecerem sob as
condições do clima.
Essa realidade não se restringe ao bairro. Muitos
usuários precisam usar até quatro ônibus
por dia. “Como não há nenhum diretamente
ao meu trabalho, preciso fazer baldeação
no centro e ficar 20 minutos esperando o próximo.
Entre casa, espera e trabalho, perco uma hora e vinte
minutos por viagem. Ou seja, são mais de duas
horas e meia por dia perdidas em um transporte coletivo
falho”, disse a professora Ariane A. Antolini,
que mora no Simioni e trabalha no Jardim Sumaré.
O intervalo entre os ônibus é grande e
essa é uma das maiores queixas dos usuários.
A maioria mantém o intervalo de 25 minutos, mas
em alguns horários o intervalo é de até
40 minutos a uma hora, mesmo em dias normais, como é
o caso das linhas Parque Shopping, Recreio Internacional,
Citty Ribeirão, Quintino I, Jardim Recreio e
Fazenda Experimental. E a viagem pode se tornar mais
longa nos finais de semana. Muitos ônibus são
tirados de circulação e o intervalo entre
eles se torna ainda maior.
O estagiário Marcos Vinícius Cardoso Souza
também sofre com a qualidade dos serviços
oferecidos pelas empresas de transporte. “O preço
é muito alto e não é compensado
pela qualidade. Constantemente há ônibus
mal conservados e bancos quebrados. Às vezes,
os ônibus adiantam ou atrasam muito e nós
ficamos sem transporte. As condições são
horríveis”, confirmou Marcos.
Segundo o Gerente de Transporte Coletivo da Transerp,
Reynaldo Lapate, o serviço prestado à
população é de boa qualidade. “Comparado
com cidades do mesmo porte que Ribeirão, a frota
conta com veículos novos, com cerca de três
ou quatro anos de uso. Possuímos um sistema de
integração moderno e, na maioria dos casos,
sem superlotação. O que atrapalha muito
em horários de pico são as condições
do tráfego”, disse.
Para melhor fiscalização da Transerp,
Lapate enfatiza alguns pontos. Para ele, os terminais
de ônibus foram desativados, o que prejudica a
fiscalização. “Hoje falta também
um quadro de fiscalização estruturado,
que antigamente era mais completo, mas muitos funcionários
se aposentaram e não houve restauração
no quadro de funcionários”. Em relação
às tarifas, Lapate afirma ser compatível
com as de cidades de grande porte. “Quando aumenta
a distância, aumenta o custo e as tarifas tendem
a crescer”.
A assessoria da Rápido D’Oeste concorda.
Segundo ela, não há defasagem na frota
da cidade e a empresa consegue atender a demanda mesmo
em horários de pico. Já a demora dos ônibus,
para a empresa, é um problema mais complexo.
“Seria um problema mais social do que da empresa.
Poderiam fazer um projeto em que diminua o fluxo de
veículos pequenos na área central, criando
corredores exclusivos para ônibus”. Em relação
aos preços cobrados, a assessoria afirma ser
o preço justo. ”É uma tarifa justa
comparando-se aos custos diretos que a empresa tem com
o transporte coletivo. Acreditamos ter uma das melhores
frotas do Brasil”, afirmou.
Apesar dos problemas apontados, os usuários reclamam
que andar de ônibus em Ribeirão Preto tem
um custo alto. A reclamação dos passageiros
é freqüente e os problemas continuam presentes
no dia-a-dia da população.
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