Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

GERAL

Bonfim Paulista ganha
sistema de monitoramento

Computador doente... e agora?

Distrito empresarial não se
desenvolve em Ribeirão Preto

Mercado dominado por homens vaidosos

A arte circense conquista seu espaço

Aumenta procura pela vida religiosa

Transporte coletivo descontenta população

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

A realidade das favelas

Uso incorreto da água causa superexploração do Aqüífero Guarani

Encontro promove debate sobre ética na TV

Quando roubar é uma doença

Participação de mulheres na polícia em São Paulo completa 50 anos

Inimigo silencioso

Lembranças da Segunda Guerra Mundial

Pesquisadores da USP utilizam células-tronco no tratamento de doenças

A união faz a praça

Ribeirão ocupa o terceiro lugar no ranking do Estado em número de portadores do HIV

Educação superior a distância

A crise da meia-idade

Ciúme: medo disfarçado de amor

Mulheres ocupam cargos de chefia

Hotel para cavalos com direito
a convênio médico

Setor hoteleiro cresce em Ribeirão Preto

EDITORIAL E ARTIGOS

Brasil do terrorismo urbano

Porque ser publicitário

Editorial

Expediente

 

Aumenta procura pela vida religiosa

Carolina Dessen

 

 

Segundo o CERIS (Central de Estatísticas Religiosas), 600 padres se formam por ano no Brasil. Uma média de 80 no Estado de São Paulo. O número só não é maior porque alguns desistem antes de terminar a formação. Mesmo assim, o número de religiosos aumentou no país. Em 1995, eram 9.500 e hoje são cerca de 14 mil, um crescimento de 47%. Já no Estado de São Paulo, em 1995, eram 950, hoje são 1.500.
O seminarista Flávio Vicente Machado conta que decidiu tornar-se padre por olhar aqueles que já eram padres, por ser coroinha e apreciar o trabalho com o povo, crianças e jovens. Com treze anos, ele começou a fazer encontros vocacionais e entrou no seminário com quinze anos. “Não sinto muita falta da vida lá fora. Ganho muita coisa aqui dentro. Tenho muito contato com os jovens. Há várias pessoas da minha idade aqui no seminário. Você se conhece e aprende a ser feliz. Você convive com pessoas de vários países e aprende a conviver. Isso proporciona um amadurecimento pessoal muito grande”.
Na congregação dos seminaristas, para se tornar padre, são necessários doze anos de estudos. São três anos de ensino médio, três anos de faculdade de Filosofia, um ano de noviciado. Quatro anos de faculdade de Teologia e por fim um ano de espera onde é feito um aprofundamento maior. A congregação contribui com as despesas e eles não recebem nenhum tipo de “salário”. Apenas contribuição de familiares, amigos e da população.
Segundo o Coordenador Regional da Pastoral da Vocacional, padre Quirino, ultimamente, aumentou bastante a procura dos jovens pela vida religiosa. Ele enfatiza que as desistências da vida religiosa costumam ser de pessoas que ainda não descobriram sua vocação. “O chamado é de Deus, a ação é do Espírito Santo”. Padre Quirino ainda diz que as pessoas que procuram o seminário são jovens atuantes em comunidades e com uma formação católica na família. “Não tem nada de pobre e de rico. Muitos são chamados e poucos são os escolhidos. Muitos vêem que não é isso que querem e acabam voltando para suas casas”.
André Augusto Maia, ex-seminarista, desistiu da vida religiosa. Durante cinco anos passou por seminários nas cidades de Jardinópolis, Araras e Ribeirão Preto. Experimentou dois caminhos religiosos, não se adaptou na vida Diocesana e foi para a comunidade Canossiana. A comunidade Diocesana e a Canossiana seguem praticamente o mesmo estilo de vida. A única diferença é que na Canossiana as pessoas vivem em comunidade e sempre há mais de um padre. Já a comunidade Diocesana o estilo é mais solitário e possui somente um padre em cada igreja.
“Entrei na comunidade Canossiana e fiquei em dúvida se era isso que eu queria. Decidi experimentar a Diocese, mas não me adaptei e voltei para a Canossiana. Uma hora eu percebi que não era esse tipo de vida que eu queria. Sempre prezei a transparência, não podia querer fugir. Podia ter vivido uma vida dupla, mas não vivi”, afirma André. O ex-seminarista explica que não concorda com muitas regras impostas, mas não abandonou a igreja. “Tem gente que ainda acha que sou seminarista porque continuo participando da igreja. Hoje sou professor de catequese. Faço melhor aqui fora do que se tivesse lá dentro”, conclui.