| Carolina
Dessen
Segundo o CERIS (Central
de Estatísticas Religiosas), 600 padres se formam
por ano no Brasil. Uma média de 80 no Estado
de São Paulo. O número só não
é maior porque alguns desistem antes de terminar
a formação. Mesmo assim, o número
de religiosos aumentou no país. Em 1995, eram
9.500 e hoje são cerca de 14 mil, um crescimento
de 47%. Já no Estado de São Paulo, em
1995, eram 950, hoje são 1.500.
O seminarista Flávio Vicente Machado conta que
decidiu tornar-se padre por olhar aqueles que já
eram padres, por ser coroinha e apreciar o trabalho
com o povo, crianças e jovens. Com treze anos,
ele começou a fazer encontros vocacionais e entrou
no seminário com quinze anos. “Não
sinto muita falta da vida lá fora. Ganho muita
coisa aqui dentro. Tenho muito contato com os jovens.
Há várias pessoas da minha idade aqui
no seminário. Você se conhece e aprende
a ser feliz. Você convive com pessoas de vários
países e aprende a conviver. Isso proporciona
um amadurecimento pessoal muito grande”.
Na congregação dos seminaristas, para
se tornar padre, são necessários doze
anos de estudos. São três anos de ensino
médio, três anos de faculdade de Filosofia,
um ano de noviciado. Quatro anos de faculdade de Teologia
e por fim um ano de espera onde é feito um aprofundamento
maior. A congregação contribui com as
despesas e eles não recebem nenhum tipo de “salário”.
Apenas contribuição de familiares, amigos
e da população.
Segundo o Coordenador Regional da Pastoral da Vocacional,
padre Quirino, ultimamente, aumentou bastante a procura
dos jovens pela vida religiosa. Ele enfatiza que as
desistências da vida religiosa costumam ser de
pessoas que ainda não descobriram sua vocação.
“O chamado é de Deus, a ação
é do Espírito Santo”. Padre Quirino
ainda diz que as pessoas que procuram o seminário
são jovens atuantes em comunidades e com uma
formação católica na família.
“Não tem nada de pobre e de rico. Muitos
são chamados e poucos são os escolhidos.
Muitos vêem que não é isso que querem
e acabam voltando para suas casas”.
André Augusto Maia, ex-seminarista, desistiu
da vida religiosa. Durante cinco anos passou por seminários
nas cidades de Jardinópolis, Araras e Ribeirão
Preto. Experimentou dois caminhos religiosos, não
se adaptou na vida Diocesana e foi para a comunidade
Canossiana. A comunidade Diocesana e a Canossiana seguem
praticamente o mesmo estilo de vida. A única
diferença é que na Canossiana as pessoas
vivem em comunidade e sempre há mais de um padre.
Já a comunidade Diocesana o estilo é mais
solitário e possui somente um padre em cada igreja.
“Entrei na comunidade Canossiana e fiquei em dúvida
se era isso que eu queria. Decidi experimentar a Diocese,
mas não me adaptei e voltei para a Canossiana.
Uma hora eu percebi que não era esse tipo de
vida que eu queria. Sempre prezei a transparência,
não podia querer fugir. Podia ter vivido uma
vida dupla, mas não vivi”, afirma André.
O ex-seminarista explica que não concorda com
muitas regras impostas, mas não abandonou a igreja.
“Tem gente que ainda acha que sou seminarista
porque continuo participando da igreja. Hoje sou professor
de catequese. Faço melhor aqui fora do que se
tivesse lá dentro”, conclui.
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