| Chimenne
Osório
Foi-se o tempo em que
o homem não se preocupava com a vaidade e que
isso era apenas “coisa de mulher”. Uma pesquisa
feita em São Paulo, pela 2B Brasil Research &
Consulting, com homens entre 25 e 65 anos, revelou que
80% gastam mais de cinco minutos diários com
a beleza. O apresentador da primeira edição
do Jornal da Clube, Paulo Pucci, confirma o resultado
da pesquisa. Todos os dias, ele usa um sabonete para
hidratar a pele. “Eu percebo que ela fica muito
mais macia”. O apresentador também usa
um gel com vitamina E para retirar a maquiagem que usa
diariamente e um creme de barbear para peles sensíveis,
pois se preocupa com irritações que podem
surgir no rosto.
A estudante Michelle Trevizani, 25, acha gratificante
essa mudança nos homens. “Eles acabam sentindo
na pele os esforços e dificuldades que as mulheres
têm para cuidar da aparência e da beleza”,
afirma.
Os chamados metrossexuais são o alvo do momento
das indústrias de beleza e da moda. Estima-se
que eles gastam cerca de 12 milhões de dólares
por ano no mundo. Mas, quem são eles? A expressão
surgiu em meados dos anos 90. É o homem urbano
que tem forte senso estético e gasta muito tempo
e dinheiro com a sua aparência e estilo de vida.
Outra definição seria um homem heterossexual
que não se importa em mostrar também o
seu lado feminino. Ele é sensível, se
cuida, se veste bem e curte um estilo de vida em que
a estética tem lugar importante.
Como o maior exemplo deste comportamento metrossexual,
destaca-se o jogador de futebol David Beckham, companheiro
de Ronaldo, o “Fenômeno”, do Real
Madri da Espanha. Aqui em Ribeirão Preto, também
é possível encontrar homens com as mesmas
características. Leonardo Azevedo confessa fazer
parte do metrossexulismo. “Sou um vaidoso assumido.
Gosto de me vestir bem, cuidar da minha pele, do meu
cabelo e das minhas mãos. Acho importante o homem
ter um lado sensível. Afinal, somos vistos pela
nossa aparência e a primeira impressão
é a que fica”, diz Azevedo.
Ele vai ao salão de beleza sempre que possível.
Corta o cabelo a cada 15 dias e faz as unhas uma vez
por semana. “Isso não é só
por vaidade. É também uma questão
de higiene”, completa ele.
Pensando nesta tendência de mercado que gira em
torno da vaidade masculina, em Ribeirão Preto
foi criado um salão, especialmente para cuidar
da beleza, higiene e bem-estar dos homens. O espaço
tem o conceito de lobby bar, onde os clientes podem
degustar uma bebida enquanto cortam o cabelo ou fazem
a barba. “A idéia é nova na cidade,
mas já existe nas principais capitais do mundo.
Queremos ainda incluir um telão para transmissão
de jogos e vídeoclips”, diz o cabeleireiro
Eduardo Nazario.
Não só os salões de beleza faturam
com o novo homem. Nas lojas de roupas masculinas foi
registrado um aumento de 40% nas vendas. Para a comerciante
Maína Campos, o perfil dos clientes também
mudou. Ela diz que antes eram as mulheres que compravam
roupas para os homens e que hoje, eles mesmos vêm
até a loja. “Muitas vezes eles são
piores do que as mulheres e passam horas escolhendo
uma camisa”, diz Maína.
O estudante Guilherme Menegatti, 20, contribui para
esse aumento nas vendas. “Eu sou muito preocupado
com o que vou vestir. Na verdade sou um vilão
da moda e tenho mania de comprar roupas sempre que possível”.
Outro fator que confirma o crescimento do mercado que
esses homens vaidosos movimentam é que 78% deles
acham importante ter o corpo esbelto e bem definido.
Fábio Saia, 19, freqüenta uma academia de
musculação pelo menos três vezes
por semana e confirma ser muito preocupado com a forma
física. “Acho que os homens, em relação
ao corpo, são, em muitos casos, mais cuidadosos
do que as mulheres. Quando estamos acima do peso, diminuímos
a alimentação e fazemos mais exercícios.
Já as mulheres procuram as dietas malucas”.
Para a psicóloga Sônia Cristina, com a
vaidade, todos acabam ganhando. “O mercado se
expande e a vitalidade dos homens aumenta, provocando
euforia interna, que será revertida em bônus
altamente positivo no convívio familiar, social
e, principalmente, no trabalho”, diz a psicóloga.
Para ela, a mudança no perfil dos homens é
uma notícia gratificante. “Finalmente eles
vão entender as mulheres”, afirma Sônia.
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