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Tatiana Guidone
Seqüestros, assaltos,
furtos, brigas de rua e todos os outros tipos de crimes
e delitos que se possa imaginar fazem parte do cotidiano
do brasileiro. A violência urbana está
espalhada em todo canto do Brasil, das metrópoles
às pequenas cidades.
Há alguns anos, as cidades grandes eram o destino
dos criminosos, por serem mais atrativas no quesito
financeiro, e pela facilidade que se encontrava em realizar
os crimes e não serem punidos, já que,
com a correria dos grandes centros, a aglomeração
de pessoas nas ruas torna difícil a identificação
dos bandidos e a ação da polícia.
As cidades pequenas também não escapam
do terrorismo urbano. A conversa com o vizinho, no final
da tarde, na calçada, já é uma
cena incomum, tudo por causa da criminalidade. Houve
um tempo em que o programa dos pais no final de semana,
à tarde ou no começo da noite, era colocar
o papo em dia com amigos, vizinhos e parentes, “tomar
um ar fresco”, beber uma cervejinha, tudo na calçada
de suas casas, e ainda, ver os filhos brincando de queimada,
esconde-esconde e outras brincadeiras de rua. Todas
essas atividades ficaram no passado dos que puderam
realizá-las. Nos dias de hoje, brincar na rua
é complicado, pois os bandidos não escolhem
data, hora e nem lugar para cometerem atos que, muitas
vezes, podem tirar a vida de pessoas inocentes.
A violência já tomou conta do país.
Pessoas que saíram das metrópoles para
não serem vítimas da onda de crimes, refugiaram-se
em cidades do interior, para escapar dessa realidade,
e nem assim conseguiram fugir do terrorismo. Muitas
já sofreram agressões em assaltos e seqüestros,
tornando-se mais uma, entre milhares de pessoas vítimas
dessa situação que assola todo Brasil,
seja na cidade grande ou pequena.
Onde isso vai parar? O que fazer? Os que possuem alto
poder aquisitivo se protegem com todos os meios possíveis,
desde a contratação de seguranças
para suas residências, e para si próprios,
monitoramento com câmera, visando inibir a ação
dos marginais, cercas elétricas, muros altíssimos
que camuflam suas casas da vista dos bandidos, cães
ferozes e tudo mais que o dinheiro pode oferecer. Cidadãos
pobres, assalariados, se protegem com a “Graça
de Deus” e com a segurança pública
ineficaz que as autoridades insistem em dizer que estão
preparadas para proteger a população da
ação dos criminosos.
O Brasil do terrorismo urbano está assim: ocupa
o quarto lugar no mundo em número de assassinatos.
Entre os jovens de 15 a 24 anos, é o quinto colocado,
segundo os dados mais recentes das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência
e a Cultura (UNESCO).
Os dados acima estão diretamente ligados ao tráfico
de drogas, um dos maiores indicadores para a elevação
da violência urbana. E assim vamos vivendo, trancados,
com medo e tomados pela completa sensação
de insegurança.
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