| Vinícius
Patrick
Estevão Porto
O curso de graduação
em Economia Puc-SP (na Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo), os três
estágios realizados em grandes empresas brasileiras,
a fluência em inglês e alemão, além
de vários cursos de informática não
foram suficientes. Gleice Magalhães há
oito meses procura emprego, e até agora não
conseguiu um trabalho efetivo na sua área de
formação. Aos 25 anos, a ribeirãopretana
é mais uma brasileira que completa o retrato
do Brasil de desempregados.
As taxas de desemprego que antes preocupavam a classe
dos profissionais acima de quarenta anos, agora bate
na porta dos jovens universitários. São
milhares de jovens recém-formados, donos de currículos
invejáveis que não decolam, devido à
escassez de vagas no mercado de trabalho.
As estatísticas do IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística) comprovam que a faixa
de idade entre 15 e 24 anos é a mais prejudicada
pela crise atual. De janeiro de 1998 a dezembro de 2004,
cerca de 54% das demissões foram de trabalhadores
com idade inferior a 25 anos. Por outro lado, nunca
se estudou tanto. Nunca surgiram tantas faculdades e
o mercado nunca foi tão exigente nas contratações
e tão perspicaz nas demissões.
Muitos recém-formados já saem das faculdades
conscientes dessa realidade.“É desesperador”.
Assim resume sua situação o mineiro Kaio
Fernandes, 24 anos. Formado em Relações
Públicas, ele segue a rotina de deixar currículos
nas empresas e, por enquanto, sobrevive da mesada que
ainda recebe dos pais. Decidiu até trabalhar
de graça na tentativa de sensibilizar o empregador,
mas a tentativa falhou.
De acordo com Karla Paccola, coordenadora de Recursos
Humanos de uma agência de empregos, alguns itens
atrapalham na hora de conseguir um trabalho, tais como:
a falta de experiência, a má elaboração
de um currículo e, principalmente, a má
sorte na hora da entrevista. Ela ainda dá algumas
dicas: “antes de sair em busca de um emprego,
faça um currículo bem formulado, conciso,
simples e que tenha as informações essenciais.
Além disso, use uma roupa adequada para a ocasião
e, na hora da entrevista, relaxe”.
Hoje a taxa de desemprego numa categoria batizada pelo
IBGE de “filhos” (trabalhadores jovens recém-formados
e estudantes entre 18 e 25 anos) supera 14%, quase o
triplo da correspondente à “chefes de famílias”.
O problema começa numa equação
simples: sobram candidatos, faltam vagas.
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