Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

GERAL

Cinema: decupagem clássica vs Dogma 95

Os samurais invadem Ribeirão

Começar de novo

Um estresse chamado TCC

As novas tendências para se relacionar

A música que vem do lixo

Guardadores de carro causam polêmica

Ribeirão recebe dinheiro para combater enchentes

Novos projetos movimentam a agência-escola ELO

Morte do Papa

À espera da primeira chance

A popularização da cirurgia plástica

Carnabeirão

Paulistas gastam R$132 milhões por mês com cigarros

Planejamento: o segredo do sucesso empresarial

Ribeirão tem 14 casos de coqueluche

Mercado informal cresce e pode causar prejuízo

As mulheres invadem o mundo dos automóveis

Cursos de pós-graduação

Skate mobiliza jovens em Ribeirão

Superpopulação de pombos

Uma homenagem aos fãs do Capital Inicial

Celular vira moeda

Humanizar ambientes melhora o dia-a-dia nas empresas

Ribeirão estará nas telas dos cinemas

Combustíveis na mira da fiscalização

Crônica: Coisas de mulher

Teste de HIV: como, onde e porque fazê-lo

Crônica: Um dia daqueles

EDITORIAL E ARTIGOS

Os novos rumos da educação superior

A formação científica na escola

Assim comunica a humanidade

O Brasil precisa esta reforma

Expediente

Errata da versão impressa

Começar de novo

Foto: Tatiana Serebrinsky

José Olávio e Giovanna Siqueira

 

Ao andar pelos corredores de uma das unidades do Centro Universitário Barão de Mauá, nota-se que o perfil do aluno mudou. A faculdade está deixando de ser um espaço exclusivo dos jovens. É cada vez mais comum encontrar homens e mulheres com idade acima dos quarenta anos.
O ingresso tardio em sala de aula é uma tendência nacional, segundo dados da Comperve (Comissão Permanente do Vestibular), que pesquisa o perfil do estudante nas faculdades públicas do país. Hoje existem casos de classes com média de três a quatro alunos que se parecem mais com os professores do que com seus colegas de turma.
Essa convergência não é verificada só na rede pública. Na instituição particular, o número é ainda maior. Na Barão de Mauá, o número de alunos chamados “quarentões”, nos cursos seqüênciais de dois anos e também nos de graduação, vem crescendo ano a ano.
Os motivos que levam uma pessoa retomar os estudos nascem muitas vezes da necessidade de aperfeiçoamento profissional, pois a cada dia as empresas exigem maior conhecimento de seus funcionários. Já, outros, buscam reciclagem ou são atraídos simplesmente pelo prazer de voltar à sala de aula.
Um outro aspecto dessa realidade refere-se ao convívio entre alunos de diferentes gerações. A estudante Vivian de Oliveira Castigio, 18, do curso seqüencial em Gerência de Marketing e Vendas, acha que essa será uma tendência cada vez maior nos próximos anos, devido à necessidade de constante atualização do profissional. “Eu mesma não pretendo parar nunca de estudar. Estar em contato com os mais experientes é muito importante. Eles trazem um grande legado de informações, mas são menos ousados que os mais jovens, por isso um acaba completando o outro durante um trabalho, por exemplo”.
Já Thalita Tavares, 24, do 3º ano de Jornalismo, fala que é muito boa a troca de conhecimento com quem já viveu mais. “Minha mãe só terminou a faculdade depois dos quarenta. Ela está muito feliz. Conseguiu um trabalho muito melhor do que tinha e ganha muito mais”. Ela acrescenta que cada um que tem o sonho de cursar uma faculdade deve correr atrás seja na força da sua juventude ou mesmo quando já estiver na maturidade. “Não podemos deixar morrer os nossos sonhos por causa da idade”.
E foi um sonho que trouxe Luiz Augusto Stesse, 50, de volta à faculdade. Ele está no último ano do curso de Jornalismo, já é graduado em Direito, foi vereador, delegado de polícia e agora está aposentado. Na infância, ele ouvia sua mãe fazer a leitura dos jornais para as amigas, que não sabiam ler. Assim ele foi sendo atraído para os textos jornalísticos. Stesse conta que sua vida sempre foi muito dura. De família humilde, ele viveu até os 18 anos no Educandário Quito Junqueira (fundação que cuida de crianças abandonadas e também daquelas que os pais não têm condições de criar). Com muita luta, ele conseguiu estudar e agora se considera um vencedor. “Acabei de lançar o meu próprio jornal; quero fazer um jornalismo sério e diferente”.
Uma outra história interessante é a da professora do ensino básico, Leila Guerreiro Pereira Rezende, 44, mãe de dois filhos: Willian, 22, que cursa faculdade e Larissa, 16, que está no colegial. Ela está no terceiro ano do curso de História e conta que escolheu este curso por puro prazer. “Quando fizemos uma viagem de férias ao exterior, fomos aos museus e notei que sabia muito pouco da história, então resolvi estudar”. No final do ano quando ela concluir os estudos seu filho também terminará a graduação em Jornalismo. Serão duas festas de formatura na mesma casa.
Entre tantas histórias que poderiam ser contadas, a que mais surpreende é a de Benedita Aparecida Souza Sebastião, 71, que faz o curso de Fisioterapia na Barão de Mauá. Ela está no segundo ano e fala que o amor dos alunos mais novos por ela é indescritível. “Eles me tratam com tanto amor. Isso me da forças para ir em frente”. A vovó Benedita, como é chamada com carinho por seus colegas de classe, diz ainda: “A faculdade hoje é a minha vida”.