| Luana
A Vianna
Talita Macário
O hábito da leitura
não faz parte do cotidiano de muitos jovens brasileiros.
Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais), cerca de 67% dos estudantes tiveram desempenho
abaixo do esperado em interpretação de
texto no Saeb (Sistema Nacional de Avaliação
da Educação Básica) - exame diagnóstico
realizado pelo governo federal. Os motivos mais apontados
por especialistas são a desunião família-escola,
falta de estímulos e de tempo por parte dos alunos.
Outras pesquisas obtiveram resultados parecidos. O Pisa
(Programa Internacional de Avaliação de
Alunos) aplicou exames de leitura e interpretação
em alunos de 15 e 16 anos. O resultado do desempenho
dos estudantes brasileiros não foi diferente.
De maneira geral, os jovens não entendem as questões
para poder responder. O Enem (Exame Nacional do Ensino
Médio) também apontou o problema. Em 2001,
a média da prova objetiva caiu de 51,85 para
40,56 e a de redação de 60,87 para 52,58,
em relação ao ano anterior.
De acordo com a diretora pedagógica, Fernanda
Cabral Vidal, especializada em educação
de crianças entre zero e 6 anos, o hábito
pela leitura deve ser estimulado desde a educação
infantil. É importante que os livros sejam apresentados
às crianças, ainda nos primeiros meses
de vida, e proporcionar a elas um ambiente acolhedor.
“Quando a criança ouve ou lê uma
história, cria um mundo paralelo. Ela conhece
um mundo mágico, onde ela pode ser desde uma
formiga até um dragão. Com os livros,
abrem-se as portas de um mundo novo”. Segundo
Fernanda, os recursos utilizados são adaptados
para cada faixa etária. “O mais importante
é despertar o encantamento pelas histórias,
através do seu contador, e proporcionar contato
contínuo com livros e gravuras”.
As conseqüências dessa formação
inicial são sentidas nos jovens. A coordenadora
do curso de Letras do Centro Universitário Barão
de Mauá, Nayá Sadi Câmara, relata
a importância do prazer pela leitura. Segunda
ela, jovens que não lêem, não conhecem
o mundo, as pessoas e a realidade que os cercam. Tornam-se
pessoas de fácil manipulação. Além
disso, dificilmente terão ascensão profissional.
“Somos aquilo que lemos”.
A reeducação dos jovens é fundamental.
Nayá aponta alguns pontos fundamentais para se
trabalhar com jovens que não tiveram incentivo
adequado na infância. Para ela, oferecer textos
que estejam inseridos no cotidiano dos jovens é
importante, como os de revistas ou músicas. Eles
despertam o interesse por assuntos adequados a essa
faixa etária, chamam mais atenção
e criam o prazer pela leitura.
A união família-escola é indispensável
nesse processo, seja na educação infantil,
ensino médio ou universitário. “Essa
parceria é indispensável, pois todos estarão
com os mesmos objetivos. Ambas se empenham, escolhem
temas e valores a serem trabalhados nos dois ambientes”,
disse Fernanda Vidal, diretora pedagógica de
uma escola da rede particular.
Dentro desse contexto, Ribeirão Preto possui
uma situação privilegiada. Através
da implantação do projeto “Ribeirão
das Letras”, programa de expansão de bibliotecas
públicas, a prefeitura obteve um aumento considerável
no índice de leitura. Em 2001, os habitantes
liam em média três livros por ano. Hoje,
segundo pesquisas realizadas pelo Conselho Federal de
Biblioteconomia, são 9,7, quase cinco vezes mais
que a média nacional. O Instituto do Livro divulgou
que o número nacional não chega a dois
livros por habitante ao ano.
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