Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

GERAL

Cinema: decupagem clássica vs Dogma 95

Os samurais invadem Ribeirão

Começar de novo

Um estresse chamado TCC

As novas tendências para se relacionar

A música que vem do lixo

Guardadores de carro causam polêmica

Ribeirão recebe dinheiro para combater enchentes

Novos projetos movimentam a agência-escola ELO

Morte do Papa

À espera da primeira chance

A popularização da cirurgia plástica

Carnabeirão

Paulistas gastam R$132 milhões por mês com cigarros

Planejamento: o segredo do sucesso empresarial

Ribeirão tem 14 casos de coqueluche

Mercado informal cresce e pode causar prejuízo

As mulheres invadem o mundo dos automóveis

Cursos de pós-graduação

Skate mobiliza jovens em Ribeirão

Superpopulação de pombos

Uma homenagem aos fãs do Capital Inicial

Celular vira moeda

Humanizar ambientes melhora o dia-a-dia nas empresas

Ribeirão estará nas telas dos cinemas

Combustíveis na mira da fiscalização

Crônica: Coisas de mulher

Teste de HIV: como, onde e porque fazê-lo

Crônica: Um dia daqueles

EDITORIAL E ARTIGOS

Os novos rumos da educação superior

A formação científica na escola

Assim comunica a humanidade

O Brasil precisa esta reforma

Expediente

Errata da versão impressa

Despertar a magia pela leitura é o primeiro passo

Luana A Vianna

Talita Macário

 

O hábito da leitura não faz parte do cotidiano de muitos jovens brasileiros. Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), cerca de 67% dos estudantes tiveram desempenho abaixo do esperado em interpretação de texto no Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) - exame diagnóstico realizado pelo governo federal. Os motivos mais apontados por especialistas são a desunião família-escola, falta de estímulos e de tempo por parte dos alunos.
Outras pesquisas obtiveram resultados parecidos. O Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) aplicou exames de leitura e interpretação em alunos de 15 e 16 anos. O resultado do desempenho dos estudantes brasileiros não foi diferente. De maneira geral, os jovens não entendem as questões para poder responder. O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) também apontou o problema. Em 2001, a média da prova objetiva caiu de 51,85 para 40,56 e a de redação de 60,87 para 52,58, em relação ao ano anterior.
De acordo com a diretora pedagógica, Fernanda Cabral Vidal, especializada em educação de crianças entre zero e 6 anos, o hábito pela leitura deve ser estimulado desde a educação infantil. É importante que os livros sejam apresentados às crianças, ainda nos primeiros meses de vida, e proporcionar a elas um ambiente acolhedor. “Quando a criança ouve ou lê uma história, cria um mundo paralelo. Ela conhece um mundo mágico, onde ela pode ser desde uma formiga até um dragão. Com os livros, abrem-se as portas de um mundo novo”. Segundo Fernanda, os recursos utilizados são adaptados para cada faixa etária. “O mais importante é despertar o encantamento pelas histórias, através do seu contador, e proporcionar contato contínuo com livros e gravuras”.
As conseqüências dessa formação inicial são sentidas nos jovens. A coordenadora do curso de Letras do Centro Universitário Barão de Mauá, Nayá Sadi Câmara, relata a importância do prazer pela leitura. Segunda ela, jovens que não lêem, não conhecem o mundo, as pessoas e a realidade que os cercam. Tornam-se pessoas de fácil manipulação. Além disso, dificilmente terão ascensão profissional. “Somos aquilo que lemos”.
A reeducação dos jovens é fundamental. Nayá aponta alguns pontos fundamentais para se trabalhar com jovens que não tiveram incentivo adequado na infância. Para ela, oferecer textos que estejam inseridos no cotidiano dos jovens é importante, como os de revistas ou músicas. Eles despertam o interesse por assuntos adequados a essa faixa etária, chamam mais atenção e criam o prazer pela leitura.
A união família-escola é indispensável nesse processo, seja na educação infantil, ensino médio ou universitário. “Essa parceria é indispensável, pois todos estarão com os mesmos objetivos. Ambas se empenham, escolhem temas e valores a serem trabalhados nos dois ambientes”, disse Fernanda Vidal, diretora pedagógica de uma escola da rede particular.
Dentro desse contexto, Ribeirão Preto possui uma situação privilegiada. Através da implantação do projeto “Ribeirão das Letras”, programa de expansão de bibliotecas públicas, a prefeitura obteve um aumento considerável no índice de leitura. Em 2001, os habitantes liam em média três livros por ano. Hoje, segundo pesquisas realizadas pelo Conselho Federal de Biblioteconomia, são 9,7, quase cinco vezes mais que a média nacional. O Instituto do Livro divulgou que o número nacional não chega a dois livros por habitante ao ano.