Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

GERAL

Cinema: decupagem clássica vs Dogma 95

Os samurais invadem Ribeirão

Começar de novo

Um estresse chamado TCC

As novas tendências para se relacionar

A música que vem do lixo

Guardadores de carro causam polêmica

Ribeirão recebe dinheiro para combater enchentes

Novos projetos movimentam a agência-escola ELO

Morte do Papa

À espera da primeira chance

A popularização da cirurgia plástica

Carnabeirão

Paulistas gastam R$132 milhões por mês com cigarros

Planejamento: o segredo do sucesso empresarial

Ribeirão tem 14 casos de coqueluche

Mercado informal cresce e pode causar prejuízo

As mulheres invadem o mundo dos automóveis

Cursos de pós-graduação

Skate mobiliza jovens em Ribeirão

Superpopulação de pombos

Uma homenagem aos fãs do Capital Inicial

Celular vira moeda

Humanizar ambientes melhora o dia-a-dia nas empresas

Ribeirão estará nas telas dos cinemas

Combustíveis na mira da fiscalização

Crônica: Coisas de mulher

Teste de HIV: como, onde e porque fazê-lo

Crônica: Um dia daqueles

EDITORIAL E ARTIGOS

Os novos rumos da educação superior

A formação científica na escola

Assim comunica a humanidade

O Brasil precisa esta reforma

Expediente

Errata da versão impressa

Mercado informal cresce e pode causar prejuízo a longo prazo

Danilo Scochi
Murilo Bereta

 

Comprar e vender latinhas tornou-se, atualmente, fonte de renda para muitas famílias em Ribeirão Preto. Na cidade, é comum encontrar jovens ou adultos coletando o material de alumínio. Uma das conseqüências disso é o fortalecimento do mercado informal.
Natural de Maceió (AL), José Cícero Maurício, 38, veio para Ribeirão Preto em 2001. Depois de trabalhar como caseiro, Maurício buscou outro emprego. Sem escolaridade, passou a trabalhar nas ruas catando latas de alumínio e papelão. O trabalho, que começa às 6 da manhã e vai até às 5 da tarde, gera um lucro diário que varia de R$ 20 a R$ 30, dependendo da quantidade de material reciclável trazido das ruas. Embora não tenha registro e nem carteira de trabalho, Maurício não pensa em deixar a profissão. “Trocaria de emprego se fosse bem melhor que esse. Não deixo a reciclagem para trabalhar em qualquer tipo de emprego não”, relata.
Segundo dados da Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade), o Brasil é o campeão mundial de reciclagem de latas de alumínio. Em 2003, de cada 100 latas comercializadas, 89 foram recicladas. Como Maurício, aproximadamente 160 mil pessoas em todo o país vivem exclusivamente da coleta de latas de alumínio, fortalecendo o mercado informal.
Para o proprietário de um comércio de sucatas, Éder Eduardo da Cruz, a compra e a venda de latinhas de alumínio trazem grande renda. “Todos os dias saem de 30 a 40 carrinhos para recolher material reciclável nas ruas”. Há 18 anos nesse mercado, ele vende o material para uma empresa que compra os metais e depois os revende para uma fábrica de reciclagem na cidade de São Paulo.
Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), um quinto dos trabalhadores localizados nos grandes centros urbanos no Brasil estão na economia informal. Em Ribeirão Preto, uma cooperativa vinculada à prefeitura recolhe cada vez menos latas de alumínio devido ao grande número de trabalhadores informais. Marilene do Nascimento Falsarella, responsável pela fiscalização da cooperativa, relata que o acesso ao material, recolhido nos lixos úteis espalhados pela cidade por um caminhão, está cada vez mais difícil. “Nos trinta bairros de coleta, os catadores vêm e levam antes”.
Com o objetivo de diminuir o mercado informal, o professor universitário e mestre em Administração, Ricardo Angelotti Donega, defende a criação de um mecanismo de inserção da informalidade. “Através do trabalho de ONG´s [organizações não-governamentais] e de cooperativas, as atividades seriam controladas e até contribuiriam para o aumento da riqueza nas cidades”.
Com o crescimento do mercado informal, são mais pessoas que ganham dinheiro e se inserem no mercado de consumo. Contudo, elas não pagam impostos e nem recolhem para a previdência. Donega alerta que o constante crescimento da economia informal pode representar, a longo prazo, um grande prejuízo para o sistema previdenciário do país. O dinheiro das taxas e impostos recolhido pelo governo é destinado, entre outros itens, à saúde, à habitação e à educação. Sem os recursos, não há investimentos.
Meio Ambiente – O recolhimento de latas tem colaborado para o crescimento da consciência ecológica. Programas de educação ambiental desenvolvidos por empresas do setor, em parceria com escolas municipais, estaduais e particulares, atingem mais de 400 mil crianças do ensino fundamental em todo o país.
Com a coleta, as latas não chegam aos lixos, o que poupa espaço nos aterros sanitários e evita a poluição do solo. O alumínio demora entre 200 e 500 anos para se decompor.
A reciclagem das latas de alumínio economiza até 95% da energia elétrica utilizada no processo inicial de fabricação da mesma lata. Isso significa que uma lata, quando reciclada, necessita apenas de 5% de energia para ser refeita. Com isso, em 2003, a economia que foi gerada seria suficiente para atender a demanda de uma cidade com um milhão de habitantes, quase duas vezes o número de pessoas d