| Danilo
Scochi
Murilo Bereta
Comprar e vender latinhas
tornou-se, atualmente, fonte de renda para muitas famílias
em Ribeirão Preto. Na cidade, é comum
encontrar jovens ou adultos coletando o material de
alumínio. Uma das conseqüências disso
é o fortalecimento do mercado informal.
Natural de Maceió (AL), José Cícero
Maurício, 38, veio para Ribeirão Preto
em 2001. Depois de trabalhar como caseiro, Maurício
buscou outro emprego. Sem escolaridade, passou a trabalhar
nas ruas catando latas de alumínio e papelão.
O trabalho, que começa às 6 da manhã
e vai até às 5 da tarde, gera um lucro
diário que varia de R$ 20 a R$ 30, dependendo
da quantidade de material reciclável trazido
das ruas. Embora não tenha registro e nem carteira
de trabalho, Maurício não pensa em deixar
a profissão. “Trocaria de emprego se fosse
bem melhor que esse. Não deixo a reciclagem para
trabalhar em qualquer tipo de emprego não”,
relata.
Segundo dados da Abralatas (Associação
Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade),
o Brasil é o campeão mundial de reciclagem
de latas de alumínio. Em 2003, de cada 100 latas
comercializadas, 89 foram recicladas. Como Maurício,
aproximadamente 160 mil pessoas em todo o país
vivem exclusivamente da coleta de latas de alumínio,
fortalecendo o mercado informal.
Para o proprietário de um comércio de
sucatas, Éder Eduardo da Cruz, a compra e a venda
de latinhas de alumínio trazem grande renda.
“Todos os dias saem de 30 a 40 carrinhos para
recolher material reciclável nas ruas”.
Há 18 anos nesse mercado, ele vende o material
para uma empresa que compra os metais e depois os revende
para uma fábrica de reciclagem na cidade de São
Paulo.
Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística), um quinto dos trabalhadores localizados
nos grandes centros urbanos no Brasil estão na
economia informal. Em Ribeirão Preto, uma cooperativa
vinculada à prefeitura recolhe cada vez menos
latas de alumínio devido ao grande número
de trabalhadores informais. Marilene do Nascimento Falsarella,
responsável pela fiscalização da
cooperativa, relata que o acesso ao material, recolhido
nos lixos úteis espalhados pela cidade por um
caminhão, está cada vez mais difícil.
“Nos trinta bairros de coleta, os catadores vêm
e levam antes”.
Com o objetivo de diminuir o mercado informal, o professor
universitário e mestre em Administração,
Ricardo Angelotti Donega, defende a criação
de um mecanismo de inserção da informalidade.
“Através do trabalho de ONG´s [organizações
não-governamentais] e de cooperativas, as atividades
seriam controladas e até contribuiriam para o
aumento da riqueza nas cidades”.
Com o crescimento do mercado informal, são mais
pessoas que ganham dinheiro e se inserem no mercado
de consumo. Contudo, elas não pagam impostos
e nem recolhem para a previdência. Donega alerta
que o constante crescimento da economia informal pode
representar, a longo prazo, um grande prejuízo
para o sistema previdenciário do país.
O dinheiro das taxas e impostos recolhido pelo governo
é destinado, entre outros itens, à saúde,
à habitação e à educação.
Sem os recursos, não há investimentos.
Meio Ambiente – O recolhimento de latas tem colaborado
para o crescimento da consciência ecológica.
Programas de educação ambiental desenvolvidos
por empresas do setor, em parceria com escolas municipais,
estaduais e particulares, atingem mais de 400 mil crianças
do ensino fundamental em todo o país.
Com a coleta, as latas não chegam aos lixos,
o que poupa espaço nos aterros sanitários
e evita a poluição do solo. O alumínio
demora entre 200 e 500 anos para se decompor.
A reciclagem das latas de alumínio economiza
até 95% da energia elétrica utilizada
no processo inicial de fabricação da mesma
lata. Isso significa que uma lata, quando reciclada,
necessita apenas de 5% de energia para ser refeita.
Com isso, em 2003, a economia que foi gerada seria suficiente
para atender a demanda de uma cidade com um milhão
de habitantes, quase duas vezes o número de pessoas
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