Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

GERAL

Cinema: decupagem clássica vs Dogma 95

Os samurais invadem Ribeirão

Começar de novo

Um estresse chamado TCC

As novas tendências para se relacionar

A música que vem do lixo

Guardadores de carro causam polêmica

Ribeirão recebe dinheiro para combater enchentes

Novos projetos movimentam a agência-escola ELO

Morte do Papa

À espera da primeira chance

A popularização da cirurgia plástica

Carnabeirão

Paulistas gastam R$132 milhões por mês com cigarros

Planejamento: o segredo do sucesso empresarial

Ribeirão tem 14 casos de coqueluche

Mercado informal cresce e pode causar prejuízo

As mulheres invadem o mundo dos automóveis

Cursos de pós-graduação

Skate mobiliza jovens em Ribeirão

Superpopulação de pombos

Uma homenagem aos fãs do Capital Inicial

Celular vira moeda

Humanizar ambientes melhora o dia-a-dia nas empresas

Ribeirão estará nas telas dos cinemas

Combustíveis na mira da fiscalização

Crônica: Coisas de mulher

Teste de HIV: como, onde e porque fazê-lo

Crônica: Um dia daqueles

EDITORIAL E ARTIGOS

Os novos rumos da educação superior

A formação científica na escola

Assim comunica a humanidade

O Brasil precisa esta reforma

Expediente

Errata da versão impressa

ARTIGO

Assim comunica a humanidade

 

Adilson Baptista

 

Desde o desenvolvimento da fala, da invenção do telefone (1667) e do telégrafo (década de 1830) aos modernos satélites que interligam toda a Terra numa rede invisível de troca de informações, o homem se preocupa em aperfeiçoar uma das suas mais fantásticas habilidades: a comunicação.
A tecnologia alcançada a cada minuto permite o surgimento de equipamentos cada vez mais acessíveis e funcionais. Os meios unilaterais de comunicação, como o rádio e a televisão, cederam espaço a outros mais compatíveis com a necessidade humana, permitindo a troca de informação entre emissor e receptor, o diálogo. Os aparelhos celulares, por exemplo, hoje são mais comuns que qualquer item essencial de sobrevivência. A Internet vence barreiras e distâncias em frações de segundos, interliga pessoas, empresas, amigos e desconhecidos. Mas, será que as pessoas estão mais próximas por conta da facilidade da comunicação?
Não é preciso ter muita idade para perceber a velocidade com que a mudança ocorreu na comunicação interpessoal. No Brasil, na década de 80, quem ia ao banco, por exemplo, enfrentava grandes filas, os caixas tinham máquinas registradoras mecânicas, a assinatura do cheque era conferida num cartão arquivado numa grande gaveta, o saldo também. O fato de ficarem nas filas fazia as pessoas conversarem mais, olhar nos olhos. Desabafos, paqueras, futebol, novela, política, tudo era assunto numa fila de banco. A inexistência do correio eletrônico levava clientes à agência para resolver pequenos e grandes problemas com a gerência. Se nos arrepiamos só de pensar nas dificuldades daquele tempo, o círculo de amizade criado dentro de uma agência bancária é algo que chega a dar saudades.
Na mesma época, telefone fixo era item de luxo na maioria das residências e os orelhões eram os amigos fiéis daqueles que precisavam se comunicar à distância. Atualmente, a popularização dos aparelhos celulares parece ter surgido num piscar de olhos. Em cada esquina tem alguém com um celular na cintura, passando indiferente perto do velho orelhão. Para Ludovic Gaude, diretor da Nokia, até 2008, quatro de cada dez habitantes da Terra deverão ter um celular.
Sobre a Internet, nem é preciso dizer muito. A avalanche de informações que circula a cada segundo na rede mundial é algo inimaginável, assim como é grande o número de cidadãos virtuais que cresce a cada dia. Tribos, comunidades, fóruns, os termos tentam aproximar da realidade material o que é apenas virtual.
Marc Augé (1994) fala sobre a existência dos não-lugares. Segundo ele, “o não-lugar é diametralmente oposto ao lar, à residência, ao espaço personalizado. É representado pelos espaços públicos de rápida circulação como aeroportos, estações de metrô e pelas grandes cadeias de hotéis e supermercados”. Seguindo seu raciocínio, reconhecemos o mais fascinante não-lugar de todos, a Internet, e vemos o nascimento de não-pessoas que vivem não-amores e que fazem muitas não-amizades.
É a metamorfose social caminhando não se sabe bem para onde. O que poderá vir depois disso? É preciso rever o avanço tecnológico quando ele desestimula o calor humano em favor da rapidez e da comodidade. Tornar o mundo pequeno não pode ser sinônimo de ampliar a distância entre as pessoas. Vencer as fronteiras através de um monitor de computador não pode significar a construção de muros entre indivíduos.