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Desde o desenvolvimento
da fala, da invenção do telefone (1667)
e do telégrafo (década de 1830) aos modernos
satélites que interligam toda a Terra numa rede
invisível de troca de informações,
o homem se preocupa em aperfeiçoar uma das suas
mais fantásticas habilidades: a comunicação.
A tecnologia alcançada a cada minuto permite
o surgimento de equipamentos cada vez mais acessíveis
e funcionais. Os meios unilaterais de comunicação,
como o rádio e a televisão, cederam espaço
a outros mais compatíveis com a necessidade humana,
permitindo a troca de informação entre
emissor e receptor, o diálogo. Os aparelhos celulares,
por exemplo, hoje são mais comuns que qualquer
item essencial de sobrevivência. A Internet vence
barreiras e distâncias em frações
de segundos, interliga pessoas, empresas, amigos e desconhecidos.
Mas, será que as pessoas estão mais próximas
por conta da facilidade da comunicação?
Não é preciso ter muita idade para perceber
a velocidade com que a mudança ocorreu na comunicação
interpessoal. No Brasil, na década de 80, quem
ia ao banco, por exemplo, enfrentava grandes filas,
os caixas tinham máquinas registradoras mecânicas,
a assinatura do cheque era conferida num cartão
arquivado numa grande gaveta, o saldo também.
O fato de ficarem nas filas fazia as pessoas conversarem
mais, olhar nos olhos. Desabafos, paqueras, futebol,
novela, política, tudo era assunto numa fila
de banco. A inexistência do correio eletrônico
levava clientes à agência para resolver
pequenos e grandes problemas com a gerência. Se
nos arrepiamos só de pensar nas dificuldades
daquele tempo, o círculo de amizade criado dentro
de uma agência bancária é algo que
chega a dar saudades.
Na mesma época, telefone fixo era item de luxo
na maioria das residências e os orelhões
eram os amigos fiéis daqueles que precisavam
se comunicar à distância. Atualmente, a
popularização dos aparelhos celulares
parece ter surgido num piscar de olhos. Em cada esquina
tem alguém com um celular na cintura, passando
indiferente perto do velho orelhão. Para Ludovic
Gaude, diretor da Nokia, até 2008, quatro de
cada dez habitantes da Terra deverão ter um celular.
Sobre a Internet, nem é preciso dizer muito.
A avalanche de informações que circula
a cada segundo na rede mundial é algo inimaginável,
assim como é grande o número de cidadãos
virtuais que cresce a cada dia. Tribos, comunidades,
fóruns, os termos tentam aproximar da realidade
material o que é apenas virtual.
Marc Augé (1994) fala sobre a existência
dos não-lugares. Segundo ele, “o não-lugar
é diametralmente oposto ao lar, à residência,
ao espaço personalizado. É representado
pelos espaços públicos de rápida
circulação como aeroportos, estações
de metrô e pelas grandes cadeias de hotéis
e supermercados”. Seguindo seu raciocínio,
reconhecemos o mais fascinante não-lugar de todos,
a Internet, e vemos o nascimento de não-pessoas
que vivem não-amores e que fazem muitas não-amizades.
É a metamorfose social caminhando não
se sabe bem para onde. O que poderá vir depois
disso? É preciso rever o avanço tecnológico
quando ele desestimula o calor humano em favor da rapidez
e da comodidade. Tornar o mundo pequeno não pode
ser sinônimo de ampliar a distância entre
as pessoas. Vencer as fronteiras através de um
monitor de computador não pode significar a construção
de muros entre indivíduos.
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