Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

GERAL

Cinema: decupagem clássica vs Dogma 95

Os samurais invadem Ribeirão

Começar de novo

Um estresse chamado TCC

As novas tendências para se relacionar

A música que vem do lixo

Guardadores de carro causam polêmica

Ribeirão recebe dinheiro para combater enchentes

Novos projetos movimentam a agência-escola ELO

Morte do Papa

À espera da primeira chance

A popularização da cirurgia plástica

Carnabeirão

Paulistas gastam R$132 milhões por mês com cigarros

Planejamento: o segredo do sucesso empresarial

Ribeirão tem 14 casos de coqueluche

Mercado informal cresce e pode causar prejuízo

As mulheres invadem o mundo dos automóveis

Cursos de pós-graduação

Skate mobiliza jovens em Ribeirão

Superpopulação de pombos

Uma homenagem aos fãs do Capital Inicial

Celular vira moeda

Humanizar ambientes melhora o dia-a-dia nas empresas

Ribeirão estará nas telas dos cinemas

Combustíveis na mira da fiscalização

Crônica: Coisas de mulher

Teste de HIV: como, onde e porque fazê-lo

Crônica: Um dia daqueles

EDITORIAL E ARTIGOS

Os novos rumos da educação superior

A formação científica na escola

Assim comunica a humanidade

O Brasil precisa esta reforma

Expediente

Errata da versão impressa

ARTIGO

A formação científica na escola

Audre Alberguini

 

A escola é um dos espaços tradicionais para o contato das pessoas com o conhecimento científico. Os livros didáticos e os conteúdos programáticos tentam dar conta dos principais processos que envolvem a interpretação e intervenção do homem na natureza. Um dos problemas do uso restrito desses instrumentos na escola é que os avanços científicos ocorrem, na atualidade, em um ritmo muito acelerado, o que dificulta seu acompanhamento.
O emprego de materiais pedagógicos capazes de atrair a atenção dos alunos e facilitar o entendimento do conhecimento científico exige, antes de qualquer coisa, o reconhecimento por parte dos professores da limitação dos métodos tradicionais e da importância de despertar o interesse dos alunos pelo assunto.
Alguns autores diferenciam o “ensino em ciências”, mais ligado a aspectos da educação formal, do “ensino para a ciência”, relacionado à educação não-formal, onde entrariam os museus, as feiras etc. com um caráter mais lúdico e um objetivo mais motivador. Independentemente desta distinção, deve-se observar que tanto os instrumentos de ensino em ciências como os de ensino para a ciência podem ser empregados por professores, já que as aulas extra-classe são altamente positivas ao processo de ensino.
De fato, inúmeros recursos têm sido desenvolvidos para facilitar o ensino da ciência na escola, mesmo diante da escassez de recursos. O laboratório da escola é um instrumento interessante para aguçar nos alunos a curiosidade pela ciência, além de facilitar algumas práticas que, sem esse instrumento, ficariam impossibilitadas. O diálogo do educando com o conhecimento é um meio para que este seja incorporado ao cotidiano e possa contribuir para uma atuação mais crítica e ativa das pessoas.
O computador, através de softwares especializados, e a Internet, através de sites voltados à divulgação científica, também podem contribuir para enriquecer as aulas, ao possibilitar pesquisas escolares e a construção do conhecimento pelos alunos. Diversos projetos de educação a distância mediada por computador e também de uso da Internet nas escolas propõem o emprego dessas ferramentas no apoio ao ensino de diversas disciplinas.
Os museus de ciência, que surgiram na Europa do século XVII, e mais recentemente no Brasil, são outra forma interessante de realizar divulgação científica, principalmente para estudantes. Diferentemente dos museus tradicionais em que as peças expostas ficam distantes dos visitantes e não podem ser tocadas, nos modernos museus de ciência com características dinâmicas e processos interativos no contato dos visitantes, ao invés de obras e peças em exposição, privilegiam-se as experiências científicas que podem ser apreendidas e vivenciadas pelo público.
A interatividade proposta pelos museus de ciência, computadores e laboratórios escolares facilita uma maior aproximação e diálogo dos alunos com a ciência, muitas vezes distante da vida cotidiana das pessoas.
O contato do cientista com a sociedade também é uma forma muito discutida ultimamente de divulgação científica. Em congressos científicos de diversas áreas, inclusive nos de jornalismo científico, têm aumentado a preocupação de que cientistas incorporem a divulgação de seus trabalhos à sociedade – realizado através da mídia e do contato direto – como parte de suas funções. Estes profissionais podem desempenhar um papel diferenciado nas escolas. Através de palestras e debates, os cientistas podem estimular o interesse pela ciência e facilitar a compreensão e atualização por parte dos alunos e professores sobre o conhecimento produzido nos laboratórios e universidades.
Muito ainda precisa ser feito no incentivo à divulgação científica por parte dos cientistas e pesquisadores. Algumas iniciativas, no entanto, já tiveram início. A Plataforma do Currículo Lattes (formulário eletrônico do MCT, do CNPq, da Finep e da CAPES/MEC para o cadastro de dados curriculares de pesquisadores e de usuários em geral) reconhece, para os currículos, a publicação de matérias em jornais e revistas. Com isso, muitos desses profissionais se sentem estimulados a divulgar suas pesquisas à sociedade em geral.
A proximidade das pessoas com a ciência possibilita uma maior compreensão social da atuação do homem sobre o meio ambiente, pode despertar vocações e interesses pelo trabalho científico, além de desmistificar a ciência como algo mágico, neutro e capaz de resolver todos os problemas da humanidade.
A conscientização de que a ciência é feita por pessoas comuns, que possuem suas limitações e interesses como quaisquer outras, contribui para uma visão mais contextualizada dessa atividade, motivando, inclusive, reflexões sobre os limites éticos e os aspectos econômicos, políticos e ideológicos da ciência.
Dos recursos que podem ser empregados para o ensino da ciência, a mídia é a que mais está presente na vida dos alunos. Por isso, o jornalismo e, em especial, o jornalismo científico, são importantes instrumentos para a divulgação desse conhecimento. Além disso, os conteúdos de ciência e tecnologia veiculados pelos meios são de interesse e dizem respeito à vida das pessoas e, por isso, devem estar inseridos no processo de ensino formal. Um exemplo disso foi o caso da votação e aprovação, pela Câmara dos Deputados, em março passado, das pesquisas científicas com células-tronco embrionárias (que fazem parte da Lei de Biossegurança) e que mobilizou setores da sociedade que visualizam nestes estudos uma possibilidade futura de cura de várias doenças. É devido a essa função educativa atribuída à mídia que faz-se necessária a atuação ética e socialmente responsável do jornalista.