| Audre Alberguini
A escola é um dos
espaços tradicionais para o contato das pessoas
com o conhecimento científico. Os livros didáticos
e os conteúdos programáticos tentam dar
conta dos principais processos que envolvem a interpretação
e intervenção do homem na natureza. Um
dos problemas do uso restrito desses instrumentos na
escola é que os avanços científicos
ocorrem, na atualidade, em um ritmo muito acelerado,
o que dificulta seu acompanhamento.
O emprego de materiais pedagógicos capazes de
atrair a atenção dos alunos e facilitar
o entendimento do conhecimento científico exige,
antes de qualquer coisa, o reconhecimento por parte
dos professores da limitação dos métodos
tradicionais e da importância de despertar o interesse
dos alunos pelo assunto.
Alguns autores diferenciam o “ensino em ciências”,
mais ligado a aspectos da educação formal,
do “ensino para a ciência”, relacionado
à educação não-formal, onde
entrariam os museus, as feiras etc. com um caráter
mais lúdico e um objetivo mais motivador. Independentemente
desta distinção, deve-se observar que
tanto os instrumentos de ensino em ciências como
os de ensino para a ciência podem ser empregados
por professores, já que as aulas extra-classe
são altamente positivas ao processo de ensino.
De fato, inúmeros recursos têm sido desenvolvidos
para facilitar o ensino da ciência na escola,
mesmo diante da escassez de recursos. O laboratório
da escola é um instrumento interessante para
aguçar nos alunos a curiosidade pela ciência,
além de facilitar algumas práticas que,
sem esse instrumento, ficariam impossibilitadas. O diálogo
do educando com o conhecimento é um meio para
que este seja incorporado ao cotidiano e possa contribuir
para uma atuação mais crítica e
ativa das pessoas.
O computador, através de softwares especializados,
e a Internet, através de sites voltados à
divulgação científica, também
podem contribuir para enriquecer as aulas, ao possibilitar
pesquisas escolares e a construção do
conhecimento pelos alunos. Diversos projetos de educação
a distância mediada por computador e também
de uso da Internet nas escolas propõem o emprego
dessas ferramentas no apoio ao ensino de diversas disciplinas.
Os museus de ciência, que surgiram na Europa do
século XVII, e mais recentemente no Brasil, são
outra forma interessante de realizar divulgação
científica, principalmente para estudantes. Diferentemente
dos museus tradicionais em que as peças expostas
ficam distantes dos visitantes e não podem ser
tocadas, nos modernos museus de ciência com características
dinâmicas e processos interativos no contato dos
visitantes, ao invés de obras e peças
em exposição, privilegiam-se as experiências
científicas que podem ser apreendidas e vivenciadas
pelo público.
A interatividade proposta pelos museus de ciência,
computadores e laboratórios escolares facilita
uma maior aproximação e diálogo
dos alunos com a ciência, muitas vezes distante
da vida cotidiana das pessoas.
O contato do cientista com a sociedade também
é uma forma muito discutida ultimamente de divulgação
científica. Em congressos científicos
de diversas áreas, inclusive nos de jornalismo
científico, têm aumentado a preocupação
de que cientistas incorporem a divulgação
de seus trabalhos à sociedade – realizado
através da mídia e do contato direto –
como parte de suas funções. Estes profissionais
podem desempenhar um papel diferenciado nas escolas.
Através de palestras e debates, os cientistas
podem estimular o interesse pela ciência e facilitar
a compreensão e atualização por
parte dos alunos e professores sobre o conhecimento
produzido nos laboratórios e universidades.
Muito ainda precisa ser feito no incentivo à
divulgação científica por parte
dos cientistas e pesquisadores. Algumas iniciativas,
no entanto, já tiveram início. A Plataforma
do Currículo Lattes (formulário eletrônico
do MCT, do CNPq, da Finep e da CAPES/MEC para o cadastro
de dados curriculares de pesquisadores e de usuários
em geral) reconhece, para os currículos, a publicação
de matérias em jornais e revistas. Com isso,
muitos desses profissionais se sentem estimulados a
divulgar suas pesquisas à sociedade em geral.
A proximidade das pessoas com a ciência possibilita
uma maior compreensão social da atuação
do homem sobre o meio ambiente, pode despertar vocações
e interesses pelo trabalho científico, além
de desmistificar a ciência como algo mágico,
neutro e capaz de resolver todos os problemas da humanidade.
A conscientização de que a ciência
é feita por pessoas comuns, que possuem suas
limitações e interesses como quaisquer
outras, contribui para uma visão mais contextualizada
dessa atividade, motivando, inclusive, reflexões
sobre os limites éticos e os aspectos econômicos,
políticos e ideológicos da ciência.
Dos recursos que podem ser empregados para o ensino
da ciência, a mídia é a que mais
está presente na vida dos alunos. Por isso, o
jornalismo e, em especial, o jornalismo científico,
são importantes instrumentos para a divulgação
desse conhecimento. Além disso, os conteúdos
de ciência e tecnologia veiculados pelos meios
são de interesse e dizem respeito à vida
das pessoas e, por isso, devem estar inseridos no processo
de ensino formal. Um exemplo disso foi o caso da votação
e aprovação, pela Câmara dos Deputados,
em março passado, das pesquisas científicas
com células-tronco embrionárias (que fazem
parte da Lei de Biossegurança) e que mobilizou
setores da sociedade que visualizam nestes estudos uma
possibilidade futura de cura de várias doenças.
É devido a essa função educativa
atribuída à mídia que faz-se necessária
a atuação ética e socialmente responsável
do jornalista.
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