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Rafael Gonçalves
As trocas de técnicos já viraram um fato
comum no futebol brasileiro. Basta um resultado negativo,
por melhor que seja a campanha do time, para que o culpado
seja sempre ele: o treinador da equipe.
Times sem uma estrutura conveniente para que o trabalho
seja bem-feito e equipes de baixo nível técnico
trocam com mais freqüência os seus treinadores,
o que para muitos entendidos no assunto é sinônimo
de péssima administração dos diretores.
Aqui em Ribeirão Preto, a dupla Come-Fogo não
tem conseguido realizar um trabalho de longo prazo com
somente um treinador. Nos últimos três
anos, foram 32 treinadores contratados, sendo que alguns
deles voltaram tempos depois, seja no estádio
Santa Cruz ou no Palma Travassos. Os números
registram um treinador a cada dois meses de trabalho.
No Comercial, 13 técnicos diferentes passaram
pelo clube desde 2001. Na Série A-2 do Campeonato
Paulista daquele ano foram quatro treinadores. Começou
com Juninho Fonseca (que tempos depois comandou o Corinthians)
que logo caiu, abrindo espaço para Carbone. Após
Carbone, vieram Varlei de Carvalho e Tim. Este último
não conseguiu livrar a equipe do rebaixamento
para a Série A-3, mas a Federação
Paulista reformulou o campeonato e os dois rebaixados
permaneceram na Série A-2. Ainda neste ano, o
“Leão do Norte” disputou a Copa do
Interior, onde teve dois treinadores: Ari Mantovani
e Carlos Pinoza.
Em 2002, a diretoria preferiu seguir com Carlos Pinoza,
que iniciou o Campeonato Paulista, mas ficou apenas
durante quatro partidas. Então veio, novamente,
o treinador Carbone. Neste ano, o Comercial disputou
mais dois campeonatos, a Copa Mauro Ramos de Oliveira
e o Brasileiro da Série-C, com passagens de Édson
Mariano e Marco Antônio Silva, o Nei.
No ano seguinte foram mais três treinadores: Wantuil
Rodrigues, Moacir Júnior e Pinho. Neste ano,
o Leão teve outros dois comandantes no Campeonato
Paulista da Série A-2. Carlos Rabello ficou durante
12 jogos, para depois o auxiliar-técnico, Jordan
Freitas, assumir a equipe nos dois últimos jogos.
Já no Botafogo, as mudanças foram ainda
maiores. Quinze treinadores passaram por Santa Cruz
desde 2001, quando o time foi vice-campeão Paulista,
perdendo para o Corinthians na grande final.
Após o vice de 2001, com Lorí Sandri como
técnico, o time disputou a Série-A do
Brasileiro, montando um time com vários jogadores
do Juventus, inclusive o treinador Ernesto Paulo, que
suportou apenas cinco jogos no cargo. A solução
foi chamar José Mário Crispim, para depois
assumir Arthur Neto. O resultado foi um rebaixamento
para a segunda divisão.
Em 2002, foram cinco técnicos, sendo três
no Campeonato Paulista (Nicanor de Carvalho, Antônio
Novo Júnior e José Galli Neto), e dois
na Série-B, (Édson Porto e Carbone). No
Paulista, a equipe fez o suficiente para se manter no
grupo de elite; já na segunda divisão,
outro rebaixamento, agora para a Série-C do Campeonato
Brasileiro.
Em 2003, o Botafogo, sem estrutura, amargou um incrível
terceiro rebaixamento em menos de três anos. Começou
o Paulistão sendo comandado pelo técnico
Joãozinho Rosa, para depois ser substituído
por Basílio (ex-jogador do Corinthians) e Varlei
de Carvalho. O time caiu para a Série A-2 do
futebol paulista.
A diretoria resolveu, então, apostar num treinador
que havia sido campeão da segunda divisão.
Roberto Fonseca foi contratado para comandar o time
nas disputas da Série-C do Campeonato Brasileiro
e da Série A-2 do ano seguinte.
Iniciando 2004, Fonseca continuou o trabalho, porém,
não esperava tantos resultados ruins, e logo
caiu. Era a 14ª troca de treinador, já que
assumia Varlei de Carvalho. Com ele, a equipe garantiu
a classificação para a segunda fase, mas
a falta de dinheiro atrapalhou o grupo botafoguense,
e Varlei deixou a equipe indo para o Bandeirante de
Birigüi. Chegava então a vez de Édson
Mariano, que apenas “cumpriu tabela”, vendo
sua equipe ser eliminada.
Para não fugir à regra, neste segundo
semestre de 2004, Comercial e Botafogo trocaram de técnico
mais uma vez. Moacir Júnior voltou a comandar
o time comercialino em busca de dias melhores e Walter
Gama assumiu o Botafogo buscando apagar a péssima
imagem do último campeonato, mas nos últimos
dias foi demitido, retornando José Mário
Crispim.
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