| Andresa Gouvêa
A Câmara Municipal
de Ribeirão Preto aprovou, em março deste
ano, a lei municipal número 10.016/2004, que
proíbe o fumo em locais fechados. Os vereadores
aprovaram um substitutivo ao projeto original, que tinha
sido encaminhado pelo prefeito Gilberto Maggioni. A
nova lei foi regulamentada em 9 de março e publicada
no “Diário Oficial” no dia 17 do
mesmo mês. Determina a proibição
do fumo em todos ambientes fechados de uso coletivo,
como shoppings, bares, restaurantes, igrejas, supermercados,
bingos, padarias, teatros, cinemas, escolas, hotéis,
clubes, casas de diversão, hospitais, escritórios,
elevadores, bibliotecas, indústrias, edifícios
e demais recintos de trabalho coletivo.
A lei aumentou o valor da multa inicial, que no projeto
original era de R$ 200 e passou para R$ 240. Os donos
e responsáveis por estabelecimentos terão
de advertir as pessoas que infringirem a lei. Após
três advertências, o infrator estará
sujeito à multa em dobro. Se insistir, será
retirado do ambiente. No caso de estabelecimentos comerciais,
o valor inicial da multa também será de
R$ 240. Além da multa, os estabelecimentos comerciais
poderão ter suas atividades suspensas por até
três dias. No caso de três reincidências,
os estabelecimentos poderão ter o alvará
suspenso por 90 dias.
Dos 10 artigos do projeto da lei 1.347/2003 apenas o
terceiro foi vetado. Segundo explicou o vereador Leopoldo
Paulino, autor do substitutivo, o objetivo foi o de
aperfeiçoar o projeto inicial encaminhado pela
administração municipal. “A manutenção
dos ‘fumódromos’, e o estabelecimento
de áreas para fumantes, nada mais são
do que válvulas de escape para que os fumantes
continuem a prejudicar o restante das pessoas”,
explicou o vereador. Paulino explicou ainda que desde
2000 já era proibido fumar dentro do Legislativo.
Com a lei, a proibição se estende para
todos os locais públicos.
O mesmo acontece na Irlanda, que se tornou o primeiro
país da Europa a proibir o fumo em lugares públicos.
O tabaco foi banido de bares, restaurantes e pubs. Lá
a multa para quem descumprir a nova lei é muito
mais alta do que em Ribeirão Preto e pode chegar
a 3 mil euros. Os irlandeses protestaram contra a lei
e fumantes velaram um cigarro gigantesco dentro de um
caixão, como sinal de indignação.
Em Ribeirão Preto, entre os que aprovam a lei
está Lael Rezende, 45 anos. “A lei veio
em boa hora, eu sou ex-fumante e mais do que nunca desejo
que as pessoas não fumem perto de mim. Só
quem não fuma ou é ex-fumante sabe como
é desagradável ter alguém fumando
perto de você”. Até alguns fumantes
mostram-se favoráveis à lei. “Eu
fumo e me esforço ao máximo para não
incomodar os outros. A lei é uma boa e vai acabar
com o desrespeito”, diz Lucas Mamede, 23 anos.
Mas há fumantes que discordam. Esse é
o caso de Rafael Silveira que garante que não
vai respeitar a lei, mas volta atrás quando o
assunto é a multa. “Nesse caso a gente
fica mais cuidadoso, porque a multa pesa no bolso”,
diz. Assim como ele, outras pessoas também se
mostram maleáveis quando pensam na possibilidade
de pagar R$ 240 pela infração. Há
também quem aceite, mas demonstre um pouco de
descontentamento. É o caso de Antônio Viana,
50 anos. “Acho que a lei é rígida
em algumas coisas. Há lugares em que o fumo não
deveria ser proibido. Concordo que há muitos
fumantes que desrespeitam as pessoas e a lei vai ajudar
a acabar com os fumantes passivos. Mas insisto que há
muita rigidez desnecessária”, diz.
Mesmo em vigor, a lei parece não intimidar os
fumantes inveterados. Basta ir aos shoppings da cidade,
a estabelecimentos comerciais ou até às
faculdades de Ribeirão Preto para encontrar os
infratores.
Os danos à saúde são mais do que
conhecidos pelos fumantes, mas a preocupação
deles não é essa. Para o Sindicato de
Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Ribeirão
Preto, a lei vai trazer muitos prejuízos para
o setor. “A intenção é boa,
mas injustiças contra o setor podem acontecer.
O fumante já se sente constrangido em fumar em
lugares fechados e expulsá-lo do estabelecimento
estraga a imagem do local”, explica Carlos Frederico
Marques, presidente do sindicato.
O gerente de uma choperia da cidade diz que está
deixando os clientes fumarem normalmente até
aparecer a primeira fiscalização. “A
partir daí vamos começar a falar para
nossos clientes não fumarem dentro do estabelecimento”.
Essa idéia mostra que a multa de R$ 240 pouco
assusta alguns proprietários de estabelecimentos
comerciais, que preferem sofrer a primeira multa e comprovar
a fiscalização a impor restrições
e perder a clientela. “Essa lei vai nos prejudicar
muito”, diz o gerente.
Já o comerciante Antonio Marinho explica que
a perda de clientes acontecerá de imediato. “Mas
com o tempo eles voltam e vão se adequar às
novas regras impostas pela lei”, explica ele.
Os grandes estabelecimentos comerciais é que
vão ter trabalho em conter os fumantes. “Nós
estamos abordando os clientes que estão fumando
e pedindo para que não fumem. A maioria é
gente de outras cidades e por isso desconhece a lei”,
conta Antônio Carlos, segurança de um grande
estabeleci
|