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Álvaro da Costa Penha
As noites de Ribeirão
Preto oferecem várias opções e
estilos musicais que vão da bossa-nova ao rock
mais pesado. “Como em qualquer outra profissão,
tem que se dedicar muito”, diz Leonardo de Castro
Pereira, conhecido como Léo, líder e vocalista
da banda Libera Samba, que toca todas as quartas-feiras
em um bar da cidade. A banda, que surgiu com o nome
Sob Medida, está com a formação
atual há mais ou menos dois anos. Léo
mora há 15 anos em Ribeirão Preto e diz
que há dez vive do seu trabalho com a música.
Ele explica que mesmo com o nome Libera Samba, a banda
não se prende só ao samba. “O segredo
é diversificar. Tocamos axé, pagode, MPB
e, quando surgem oportunidades, até gravamos
jingles para campanhas publicitárias e outros
trabalhos que envolvam música. Antes só
se ouvia samba e pagode nos bares de periferia. Hoje
nós tocamos em bares em que antigamente não
se pensava em tocar esse tipo de música”.
Léo aponta alguns problemas da profissão
de músico, como a ausência de um sindicato
que os apóie. Outro problema, segundo ele, são
os fiscais que chegam no meio da noite e cobram deles
a carteira de músico. “E se alguém
da banda não tiver a carteira, eles prometem
chamar a polícia e interromper o som, caso não
seja paga uma taxa absurda”.
A banda Os Virgens tem um repertório pop rock
nacional e internacional. Seus integrantes tocam há
mais ou menos 16 anos juntos. “Sempre tocávamos
em bandas de baile, daquelas que tocam um pouco de tudo.
Quando sobrava tempo nos reuníamos para fazer
o nosso rock and roll, que é o que a gente gosta
mesmo”, diz Marcel Rivoiro, vocalista da banda.
“Hoje tocar em bares em Ribeirão Preto
é bom, paga-se melhor comparado com anos atrás,
o serviço é mais profissional, há
mais freqüentadores e tudo está mais organizado”,
diz ele.
Em sua opinião, falta organização
para muitas bandas da cidade. “Uma banda é
como se fosse uma empresa. É preciso colocar
metas para serem alcançadas, dar uma identidade
a ela e discutir qual será a prioridade. Tem
o lado da curtição, das baladas e de estar
em um ambiente gostoso, mas tem que ter, também,
o lado funcional das coisas”.
Para Os Virgens, a mídia influencia totalmente
o gosto das pessoas, mas, para eles, o estilo pop rock
sempre terá espaço. “Outros ritmos
como axé, forró e reggae acabam logo”,
afirma Adriano César do Nascimento, conhecido
como Prets, guitarrista da banda. Ele diz que, no caso
deles, não é possível se sustentarem
financeiramente somente com a renda obtida nos shows.
“Moramos em Ribeirão Preto, mas tocamos
nas cidades da região e ainda damos aulas de
música”.
O grupo define o entusiasmo pela profissão com
um trecho de uma de suas músicas. “Tocamos
com o maior prazer em qualquer lugar, se tiver público
e um som legal, a gente vai lá e toca”. |