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Audo Daniel de Sairre Alves
Aos 14 anos Ricardo Silva tinha que dar pulinhos com
os pés juntos. Com 21, tirava do guarda-roupa
e colocava no corpo a mesma camiseta dezenas de vezes,
pensando que se tal procedimento não fosse feito
à exaustão, algo de grave poderia ocorrer.
“Você tem noção de que é
uma coisa estúpida, mas fica pensando que poderá
acontecer alguma coisa séria com alguém
caso você não faça”, diz ele.
Ricardo foi diagnosticado portador de transtorno obsessivo
compulsivo (TOC), conhecido popularmente como transtorno
de manias. “Todo ser humano tem suas manias. Mas
quando elas começam a atrapalhar a vida e o cotidiano
da pessoa, começa o transtorno de manias”,
alerta o psicólogo Carlos Eduardo Silva. O transtorno
pode ter início com algum trauma de infância.
“Às vezes, o transtorno de manias é,
de alguma forma, um jeito de lidar com esse trauma”,
afirma o psicólogo.
Ricardo também apresenta quadros de depressão,
que não são, necessariamente, sintomas
do transtorno de manias. “Em um dia eu acordava
normal e em outro com fortes sintomas de depressão”,
diz Ricardo, que fazia terapia ao mesmo tempo em que
tomava medicação indicada por um psiquiatra.
A doença pode ser curada. O tratamento mais comum
é a combinação de psicoterapia
e medicamentos. Ricardo diz que se sente curado. No
entanto, os sintomas podem manifestar-se novamente,
como em outras doenças. “É como
uma alergia, que pode reaparecer a qualquer momento”,
diz ele.
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