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Nessa edição,
a terceira de 2004, o “Jornal do Barão”
passou por uma reformulação. A partir
de agora, além das matérias que todos
estão acostumados a ler, ele conta com uma parte
temática, desenvolvida por alunos do curso de
Comunicação Social do Centro Universitário
Barão de Mauá. O espaço dedicado
à parte temática encontra-se nas quatro
páginas centrais do jornal. O tema escolhido
pelos alunos para este bimestre foi “A noite de
Ribeirão Preto”.
Assim, o leitor vai encontrar variadas matérias
sobre o transcorrer da noite na cidade. Entre elas,
o funcionamento do Resgate (Corpo de Bombeiros), dos
Plantões Policiais, sobre o trabalho das prostitutas,
sobre as noites nos cemitérios de Ribeirão
Preto, entre muitas outras.
Entre as matérias de assuntos gerais, como de
costume, o “Jornal do Barão” busca
trabalhar os temas de mais evidência na atualidade,
como a regulamentação da lei antitabaco
em Ribeirão Preto, as constantes mudanças
de técnicos no Come-Fogo, a instalação
de uma estação de medição
da qualidade do ar na cidade.
Mas talvez o assunto mais polêmico da edição
seja mesmo o projeto do Conselho Federal de Jornalismo
(CFJ). Com o CFJ o governo pretende regulamentar e fiscalizar
o trabalho dos jornalistas.
Em Cuba existe uma entidade semelhante ao CFJ. É
a Comissão Nacional de Ética, como a que
querem implantar em terras brasileiras. A entidade cubana
tem poder de fiscalizar e punir os jornalistas que desrespeitarem
normas pré-estabelecidas. Os órgãos
que representam a imprensa mundial, como os Repórteres
Sem Fronteiras, classificam Cuba como “a maior
prisão do mundo para jornalistas”.
Entre os jornalistas brasileiros, a polêmica tem
sido grande, agravada pelo recente episódio no
qual um correspondente norte-americano no país
teve sua licença de trabalho cassada sumariamente
por determinação do presidente.
Pese a má qualidade de alguns periódicos
e programas de rádio e televisão no país,
e pese ainda o mau profissional do jornalismo, sempre
atuante, o projeto do CFJ parece atropelar o debate
que há anos tem norteado a sociedade na busca
por uma imprensa de qualidade. Debate este que sempre
procurou evitar o fantasma da censura, que por décadas
assombrou nosso país.
Anarquia na comunicação
Um fato horrendo veio incomodar
a classe envolvida no processo famigerado da comunicação
social do Brasil. A tão suada conquista da liberdade
de imprensa está ameaçada e a classe jornalística
está perplexa com a ousadia do Poder Executivo.
É bem verdade que o ato foi corajoso, mas o chamado
“quarto poder” ainda manda no país.
E é aí que mora o perigo. A liberdade
de expressão não pode ser confundida com
libertinagem. Num Estado democrático de direito
não há liberdades absolutas. O proprietário
de um órgão de comunicação
não pode agir como um ente absoluto, impondo
à sociedade o que bem entende, decidindo o que
é bom ou ruim. Esse discernimento é competência
da União, do Estado que legitimamente representa
a comunidade. A plena liberdade de expressão
é fundamental, é um pré-requisito
do regime democrático. Mas a responsabilidade
é o outro lado dessa liberdade.
Este texto que você lê, caro leitor, é,
talvez, o único espaço realmente reservado
ao processo de formação de opinião.
Mesmo assim, há quem o use de forma indevida.
Muitos almejam poder escrever o editorial de um veículo
de comunicação, só que se mostram
despreparados, tanto no discorrer das idéias
como na habilidade e manuseio das palavras certas. Tudo
isso em prol de ataques desnecessários, muitas
vezes enraizados numa profunda inveja.
O editorial, verdade seja dita, não é
a página mais lida de um periódico, mas
certamente quem o lê é um cidadão
com bom entendimento das coisas e que busca naquelas
linhas algo acrescentável. Para tudo existe hora
e lugar e o jornalismo dos dias atuais rompe as barreiras
da moralidade e da liberdade de expressão, ferindo
a própria liberdade do cidadão, que diferente
do que se pensa, não pode escolher o que ler,
ouvir ou assistir.
Muitos conhecem o símbolo da anarquia, mas poucos
sabem seu significado e sua simbologia. O símbolo
é formado por um círculo e uma letra “A”,
que sobrepõe essa figura geométrica, de
modo a rasgar suas extremidades. Se analisado perante
as idéias da semiótica, o que se encontra
é a intenção de demonstrar a vontade
sucumbida de romper com as regras.
O jornalismo do Brasil faz isso. Literalmente, rompe
com as regras, mas não é o governo que
tem que reestruturar a comunicação no
país. O meio mais rápido e viável
é uma revolução marxista, de baixo
para cima, vinda do povo. Programas de baixo calão
permanecem no ar porque há quem patrocine e,
por conseqüência, quem consuma. Se o público
mostrar-se insatisfeito, as empresas irão parar
de vincular seus nomes a esses conteúdos, e a
comunicação terá que ser submissa.
A mídia manda e desmanda no país. O processo
de anarquia da comunicação já teve
início e em breve o povo todo levantará
uma só bandeira com os dizeres, “Desordem
e Regresso”.
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