Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

GERAL

Conselho Federal de Jornalismo

O transtorno das manias

Relação professor / aluno

Sudorese

Voluntariado (CVV)

Jovens na política

Mudança de técnicos no Come-Fogo

Legislação sobre tabagismo

Estação de medição de qualidade do ar

Orientação vocacional

Mal de Alzheimer

Espiritismo

50 anos da morte de G Vargas

Lei do Idoso

Orkut

CADERNO TEMÁTICO

Músicos de Ribeirão Preto

Insônia

Plantão policial

GLS

Prostituição

Trabalho do resgate

Peritos criminais

Crimes em Ribeirão Preto

Trabalho no hospital

Cemitério

Motéis

EDITORIAL E ARTIGOS

“Jornal do Barão” passa a ter parte temática

Anarquia na comunicação

Artigo: A mídia empregada como ferramenta de apoio ao professor

Expediente

JORNAL EM PDF!

ARTIGO

A mídia empregada como ferramenta de apoio ao professor

AUDRE CRISTINA ALBERGUINI

Se até a década de 1950, a educação era realizada predominantemente pela escola, essa realidade começou a ser alterada com o avanço dos meios de comunicação, que passaram a dividir o espaço, e até mesmo competir, com a forma tradicional de ensino.
Atualmente, as transformações que estão ocorrendo na sociedade exigem um repensar sobre as formas de organização social, de aquisição de informações e de construção do conhecimento. A escola, como um dos principais ambientes de convivência social, também é afetada pelos discursos provenientes da mídia.
O dilema da educação tradicional é pensar a complexidade do mundo atual, o que passa, indiscutivelmente, pela formação docente e pela capacidade de inter-relacionar e contextualizar, junto com os alunos, os conceitos apresentados pelos livros com a rapidez das mudanças sociais. A mídia, neste contexto, pode trazer diversas contribuições ao processo educativo formal, face ao papel que esta desempenha como registro da história do cotidiano.
Uma contribuição interessante do uso dos meios nas aulas refere-se ao entendimento do processo de produção das matérias jornalísticas. A partir desse conhecimento, os alunos compreendem as dificuldades do trabalho jornalístico, bem como as lacunas existentes nesse processo. Há também a possibilidade de análise crítica dos meios. A sala de aula representa um espaço privilegiado para a análise crítica dos conteúdos da mídia, incluindo aí, uma ampla possibilidade de abordagem. Outra forma de utilização é a produção de matérias jornalísticas pelos alunos sobre assuntos da aula ou do cotidiano. Esse exercício colabora para facilitar a expressão dos alunos e a comunicação entre eles.
A importância dos meios no ensino formal tem sido reconhecida também pelo poder público federal. A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação ratifica em vários artigos essa preocupação. Nos Parâmetros Curriculares do Ensino Médio encontra-se um capítulo intitulado Representação e Comunicação, que trata da relevância de dotar os estudantes de capacidades para aplicar as tecnologias de comunicação e informação em vários contextos.
Por outro lado, o uso da mídia no contexto da educação ainda é visto com muitas ressalvas por professores e pedagogos. A constante presença da violência na programação das emissoras de TV e o caráter sensacionalista de algumas matérias são alguns dos motivos apontados por docentes para dificultar o fluxo da mídia na sala de aula.
Ao propor o uso dos meios de comunicação na escola não se deve ignorar o caráter sensacionalista, comercial e de espetáculo de alguns conteúdos elaborados pelos meios. No entanto, o fato desses assuntos estarem no cotidiano dos alunos e professores demonstra a importância de serem abordados pela escola, sob uma perspectiva crítica.
A mídia, se utilizada adequadamente, pode se transformar em importante ferramenta auxiliar do professor. Problemas relacionados com a formação e a prática de muitos professores – que privilegiam o livro didático exclusivamente como fonte de informação para as aulas – podem ser minimizados com o apoio da mídia.
Vale ressaltar que o emprego dos meios de comunicação como recurso pedagógico ou, de outra forma, na linha da leitura crítica da mídia, não isenta a escola de seu papel primordial de educar, ou seja, não se busca com o uso dos meios substituir ou anular a função dos professores, dos livros didáticos e da própria instituição escolar.
As imposições do mundo atual vão no caminho da abertura da escola à mídia, ou seja, na direção de um diálogo, da superação dos estereótipos que cercam essa relação, evitando uma atitude de desprezo da escola diante de todas as transformações vivenciadas atualmente em diversos campos da vida.