| A
mídia empregada como ferramenta de apoio ao professor
AUDRE CRISTINA ALBERGUINI
Se até a década
de 1950, a educação era realizada predominantemente
pela escola, essa realidade começou a ser alterada
com o avanço dos meios de comunicação,
que passaram a dividir o espaço, e até
mesmo competir, com a forma tradicional de ensino.
Atualmente, as transformações que estão
ocorrendo na sociedade exigem um repensar sobre as formas
de organização social, de aquisição
de informações e de construção
do conhecimento. A escola, como um dos principais ambientes
de convivência social, também é
afetada pelos discursos provenientes da mídia.
O dilema da educação tradicional é
pensar a complexidade do mundo atual, o que passa, indiscutivelmente,
pela formação docente e pela capacidade
de inter-relacionar e contextualizar, junto com os alunos,
os conceitos apresentados pelos livros com a rapidez
das mudanças sociais. A mídia, neste contexto,
pode trazer diversas contribuições ao
processo educativo formal, face ao papel que esta desempenha
como registro da história do cotidiano.
Uma contribuição interessante do uso dos
meios nas aulas refere-se ao entendimento do processo
de produção das matérias jornalísticas.
A partir desse conhecimento, os alunos compreendem as
dificuldades do trabalho jornalístico, bem como
as lacunas existentes nesse processo. Há também
a possibilidade de análise crítica dos
meios. A sala de aula representa um espaço privilegiado
para a análise crítica dos conteúdos
da mídia, incluindo aí, uma ampla possibilidade
de abordagem. Outra forma de utilização
é a produção de matérias
jornalísticas pelos alunos sobre assuntos da
aula ou do cotidiano. Esse exercício colabora
para facilitar a expressão dos alunos e a comunicação
entre eles.
A importância dos meios no ensino formal tem sido
reconhecida também pelo poder público
federal. A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação
ratifica em vários artigos essa preocupação.
Nos Parâmetros Curriculares do Ensino Médio
encontra-se um capítulo intitulado Representação
e Comunicação, que trata da relevância
de dotar os estudantes de capacidades para aplicar as
tecnologias de comunicação e informação
em vários contextos.
Por outro lado, o uso da mídia no contexto da
educação ainda é visto com muitas
ressalvas por professores e pedagogos. A constante presença
da violência na programação das
emissoras de TV e o caráter sensacionalista de
algumas matérias são alguns dos motivos
apontados por docentes para dificultar o fluxo da mídia
na sala de aula.
Ao propor o uso dos meios de comunicação
na escola não se deve ignorar o caráter
sensacionalista, comercial e de espetáculo de
alguns conteúdos elaborados pelos meios. No entanto,
o fato desses assuntos estarem no cotidiano dos alunos
e professores demonstra a importância de serem
abordados pela escola, sob uma perspectiva crítica.
A mídia, se utilizada adequadamente, pode se
transformar em importante ferramenta auxiliar do professor.
Problemas relacionados com a formação
e a prática de muitos professores – que
privilegiam o livro didático exclusivamente como
fonte de informação para as aulas –
podem ser minimizados com o apoio da mídia.
Vale ressaltar que o emprego dos meios de comunicação
como recurso pedagógico ou, de outra forma, na
linha da leitura crítica da mídia, não
isenta a escola de seu papel primordial de educar, ou
seja, não se busca com o uso dos meios substituir
ou anular a função dos professores, dos
livros didáticos e da própria instituição
escolar.
As imposições do mundo atual vão
no caminho da abertura da escola à mídia,
ou seja, na direção de um diálogo,
da superação dos estereótipos que
cercam essa relação, evitando uma atitude
de desprezo da escola diante de todas as transformações
vivenciadas atualmente em diversos campos da vida. |