| Vanessa
Almeida e João Gilberto Fernandes
Depois das doenças cardiovasculares e do câncer,
a doença de Alzheimer é a terceira maior
causa de morte nos países desenvolvidos. Alzheimer
é uma doença progressiva, que destrói
as células do cérebro, provocando demência
gradual e morte. As causas desse mal ainda são
desconhecidas. Estima-se que 8% da população
acima de 65 tenha a doença de Alzheimer. No Brasil,
são mais de 600 mil portadores.
Esta é uma doença ainda sem cura, mas,
segundo o médico Francisco de Assis Carvalho
do Vale, especialista em doença de Alzheimer,
o tratamento é importante para desacelerar a
piora progressiva e garantir qualidade de vida ao doente.
“É preciso investir em medidas paliativas.
A primeira delas é a família procurar
um médico para orientar o tratamento”,
salienta. “Além do especialista, outros
recursos podem ser utilizados como a terapia ocupacional,
a fisioterapia e a fonoaudiologia. Existe uma série
de recursos terapêuticos para prolongar e melhorar
a qualidade de vida dessas pessoas”.
A possibilidade de desenvolvimento do Alzheimer recai
sobre pessoas idosas e em alguns casos ela pode ter
uma natureza familiar. Existem várias teorias,
porém, a mais aceita é a de que seja uma
doença geneticamente determinada, não
necessariamente hereditária.
Dada a dificuldade de diagnóstico, aliada à
falta de medicamentos que permitam estancar os estágios
de avanço da doença, o Alzheimer ainda
é um enigma para a ciência.
Pequenos esquecimentos, normalmente aceitos pelos familiares
como parte do processo normal de envelhecimento, são
sintomas que se agravam gradualmente. Os pacientes tornam-se
confusos e, por vezes, agressivos. Além disso,
passam a apresentar alteração da personalidade,
com distúrbios de conduta e terminam por não
conhecer os próprios familiares e até
a si mesmos quando colocados na frente do espelho.
À medida que a doença evolui, os portadores
tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, começam
a apresentar dificuldades de locomoção,
a comunicação se inviabiliza e passam
a necessitar de cuidados e supervisão integrais,
até mesmo para as atividades elementares do cotidiano,
como alimentação e higiene pessoal.
Não há um teste específico que
diagnostique de modo inquestionável a doença.
O diagnóstico certo só pode ser feito
por exames do tecido cerebral obtido por biópsia
ou necropsia.
A principal vítima da doença acaba sendo
a família. Dúvidas e incertezas com o
futuro, a grande responsabilidade, a inversão
de papéis, em que os filhos passam a se encarregar
dos cuidados dos pais, são as principais preocupações
dos familiares. “Os familiares acabam tendo uma
carga física e emocional muito grande, fazendo
com que, muitas vezes, sejam eles que adoeçam”,
diz o especialista.
|