Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

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Ex-jogador Sócrates revela versatilidade em suas ocupações


Foto: divulgação

Álvaro Penha
Fábio Mancilha

 

Ele admite que é curioso e está sempre em busca de novos conhecimentos. “Não basta ter sabedoria se você não estimulá-la através da informação tendo contato com coisas novas, várias coisas”, diz Sócrates, ex-jogador de futebol com direito a passagens pela seleção brasileira e pelo time Fiorentina, da Itália. O Magrão, para os conhecidos, com os seus 1,91m de altura, Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira participou diretamente por muitos anos da história futebolística brasileira, e especificamente do time do Corinthians, onde jogou por mais tempo (de 1978 a 1984).
Não é difícil encontrá-lo em bares e restaurantes de Ribeirão. Magrão diz dar muito valor a sua família e amigos. Para ele, sentar-se em uma mesa de bar com boas companhias traz coisas positivas e agrega valores. Sócrates lembra da cerveja européia, mais pesada e mais forte, de quando morou lá jogando pela Fiorentina durante um ano. “Era devido ao clima”, ele comenta.
Sócrates completou 50 anos em fevereiro deste ano. É músico, comentarista esportivo, escritor e médico. Desde que voltou para Ribeirão Preto não exerce mais a medicina, pois quer defender sua tese do futebol com nove jogadores. Para ele, o futebol de três décadas atrás era mais bonito e a movimentação melhor; com nove jogadores o jogo ficaria com maior espaço no campo.
O ator Sócrates estreou em uma peça musical em São Paulo no teatro Gazeta em 22 de outubro com tema sobre futebol. Perguntado sobre qual era o nome da peça, ele disse: “Rapaz, você sabe que eu nem sei (risos)”. Ele é co-autor e escreve todas as músicas do espetáculo. Atualmente, Sócrates é comentarista num programa esportivo diário de alcance nacional. “Para fazer todas essa coisas você depende de disponibilidade para participar de várias experiências”, declara.
Magrão começou cedo a dar suas primeiras corridas pelo campo. “Jogava bastante no ginásio quando garoto e no colégio, lá pelos meus 14, 15 anos. Meu primeiro técnico me chamou para jogar no Botafogo”. Sua maior dificuldade era conciliar os estudos com a carreira profissional, já que a carga horária na faculdade de Medicina era grande e os horários nunca davam certo com os dos treinos. “Tive que criar uma condição melhor e foi na base do improviso”. Sócrates, ao contrário de quase todos os outros jogadores, não parou de estudar. Seu interesse pela literatura vem de longe, há exatamente 22 anos, quando lançou, em plena época pós-ditadura, um livro escrito junto com Ricardo Gozzi, “Democracia Corintiana”, contando como o Corinthians de duas décadas atrás superou uma fase ruim sem vitórias dividindo as responsabilidades sem autoritarismo e com liberdade. “A grande importância da ‘Democracia Corintiana’ não serviu só para o Corinthians, mas para o país inteiro”. Sócrates ainda afirma que falar em liberdade com a linguagem do futebol era bem mais fácil para a população assimilar.
Assim é Sócrates. “Eu sou um poço de contradições”, brinca o comentarista, músico, ator, ex-médico e ex-jogador.