Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

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Artigo: Consuma sem consumir o mundo onde você vive

Artigo: O poder de duas mídias

Artigo: Greve no judiciário paulista

Artigo: Boca de urna ou falsa cidadania?

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JORNAL EM PDF!

Casal Junqueira foi responsável por obras filantrópicas em Ribeirão Preto


Foto: divulgação

Kiko Magrini
Aline dos Santos

 

Tudo começou no século 19, com a descoberta de minas de ouro na região central do Brasil. Isso atraiu o interesse dos portugueses, que começaram a estabelecer suas raízes em terras mineiras, próximas ao Estado de São Paulo. Em Ribeirão Preto, no ano de 1842, surgiu a família Junqueira, com a vinda de Luís Antonio de Souza Diniz e Ana Claudina Diniz Junqueira. Esse casal comprou terras na região onde hoje estão localizadas as cidades de São Simão, Pradópolis, Sertãozinho, Barrinha, Guatapará e Ribeirão Preto. Já casados, em São Simão, tiveram sete filhos. O mais velho, Gabriel de Souza Diniz Junqueira, dividiu as terras, marcando a história de Ribeirão Preto.
Francisco Maximiniano Junqueira, o coronel Quito Junqueira, nasceu no município de Ribeirão Preto 25 anos depois, em 1867. Cresceu disposto a seguir os ideais da família. Seguiu as mesmas trajetórias de seu bisavô, avô e pai: administrar terras.
Naquela época, uma das principais tradições das famílias de boa situação financeira era a união familiar. Francisco Maximiniano Junqueira casou-se em Franca, em 1891, com sua prima de primeiro grau, Theolina de Andrade, que com o tempo ficou conhecida como Sinhá Junqueira. Mariana Constança Junqueira (mãe de Quito) era irmã de Francisco Martiniano da Costa (pai de Sinhá). Esse casal teve um papel importante na formação e nos ideais da cidade de Ribeirão Preto. Ele ficou conhecido como o empresário do século 20, por acumular funções de banqueiro (homem que, na época, fazia empréstimos às pessoas), criador de gado e cafeicultor. Ela, envolvida em atividades sociais, auxiliava os necessitados e desprotegidos.
No começo do século 20, a família Junqueira resolveu formar uma sociedade exportadora para agrupar todas as atividades da família. A “Junqueira Companhia Exportadora” era formada por familiares e tinha sua sede em Santos, São Paulo.
O casal participou ativamente da construção da cidade. Algumas edificações tornaram-se marcos históricos de Ribeirão Preto. A Biblioteca Altino Arantes foi adquirida pela prefeitura municipal da cidade no ano de 1983, depois de ser tombada. Mas antes disso, nos tempos das terras do café, o terreno foi comprado, em 1912, pelo coronel Quito Junqueira, que construiu a casa para morar junto com Sinhá Junqueira. Até então, o casal residia na Fazenda da Serra. A biblioteca leva esse nome porque o ex-deputado Altino Arantes Marques tinha um grau de parentesco com o coronel Quito Junqueira.
Com a crise do café, o coronel dedicou-se ao plantio de cana-de-açúcar. Priorizou a produção no Engenho Central União, junto com seu irmão Frederico Junqueira, na cidade de Igarapava, mantendo as plantações de café e criação de gado em Ribeirão Preto. Cinco anos mais tarde, modernizou o engenho e ampliou as produções de açúcar e álcool.
O casal também estava presente em campanhas beneficentes e Sinhá Junqueira, mesmo fazendo uma rígida contenção de gastos, sempre fazia doações de sacos de açúcar, lenha e álcool para asilos, creches e hospitais.
Em 19 de novembro de 1938 faleceu Quito Junqueira, vítima de uma bronco-pneumonia e hipertrofia do coração, aos 71 anos. Nesta época era considerado o maior produtor de açúcar da América do Sul e, por não ter filhos, deixou todo o seu patrimônio para sua esposa.
Mesmo após a morte do marido ela deu continuidade aos projetos assistenciais do coronel. As doações estendiam-se a São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em Ribeirão, as três grandes obras de Sinhá Junqueira foram: o Educandário Coronel Quito Junqueira, a Biblioteca Altino Arantes e a Maternidade Sinhá Junqueira. O educandário fica localizado na Avenida Paschoal Inéchi, 500, no Jardim Independência. Por muitos anos serviu de orfanato para crianças e hoje funciona como escola com várias atividades extracurriculares.
A Biblioteca Altino Arantes localiza-se na rua Duque de Caxias, em frente à Praça XV de Novembro, próxima ao Quarteirão Paulista.
A Maternidade Sinhá Junqueira foi erguida em um terreno comprado por ela em 1944. Tornou-se uma maternidade-escola, com um convênio assinado com a Universidade de Medicina de São Paulo e a Escola de Medicina de Ribeirão Preto. Neste local, hoje, funciona o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto – Unidade de Emergência, no cruzamento das ruas Bernardino de Campos e Sete de Setembro.
Sinhá morreu em Ribeirão Preto aos 80 anos, em novembro de 1954, sem deixar herdeiros diretos. Em seu testamento, feito sete anos antes de sua morte, deixou a quantia de Cr$ 2 milhões 220 mil 495 para ser distribuída a parentes e funcionários indicados, entre outras doações. O que se sabe é que toda a fortuna do casal foi revertida para entidades assistenciais e filantrópicas, atualmente consolidadas no município.