| Ronaldo
Marçal
Ludmila Pereira
Gilberto Cruz, 42, ganhou visibilidade nacional em
2004 ao ficar uma hora e sete minutos dentro de uma
cabine cheia de gelo e 55 minutos dentro de uma sauna
seca a 60 graus Celsius, em ocasiões distintas,
num programa dominical de variedades na televisão.
Como atração de outra emissora, o professor
ficou uma hora sem piscar, tornando-se assim, o brasileiro
com maior número de recordes mundiais em 2003.
Hoje ele conta com mais de 200 certificados e 20 recordes
mundiais alcançados. Em novembro irá a
Manaus, onde tentará ficar submerso em uma caixa
com água e gelo por mais de quatro minutos. O
atual recorde pertence a um americano: três minutos
e 24 segundos nesta condição.
“Sempre tive vontade de entrar para o ‘Guinness
Book’ (o livro dos recordes mundiais), mas nunca
soube como. As pessoas diziam ser incrível alguém
ter tantos certificados. Sabia também que levaria
alguns anos para atingir esse recorde. Para isso, deveria
reciclar meus conhecimentos. Depois de alguns anos alcancei
essas marcas”, declara ele.
Gilberto ministra palestras por todo o Brasil sobre
qualidade de vida, administração de tempo
e finanças pessoais. Formado em Marketing e com
MBA em Recursos Humanos, há 14 anos veio para
Ribeirão Preto trabalhar com consultoria. Adotou
a cidade e nunca a deixou. Há mais de quatro
anos tenta arranjar emprego como professor, mas não
consegue. “Por isso vou começar a trabalhar
como moto-taxista. Se é dessa forma que tenho
que mostrar o que represento a Ribeirão Preto,
não vou esconder isso de ninguém”.
Nascido na capital paulista, ele foi criado na baixada
daquela cidade em meio à pobreza. Caçula
de cinco irmãos, “era o saco de pancadas”.
Foi a partir daí que Gilberto procurou aulas
de judô numa academia do bairro e como pagamento,
lavava, limpava o tatame e também era atendente.
Durante o dia trabalhava como office boy e à
noite treinava. “Passei a viver outros valores
e práticas como dedicação, concentração,
treinamentos, estudar adversários, ser altamente
técnico, perfeccionista, e aprendi a ser muito
apaixonado pelo que faço”.
Aos 18 anos, quando foi dispensado pelo Exército,
trabalhou como faxineiro e, aos 20, decidiu fazer um
curso de atendente de enfermagem. “A gente quando
é pobre, precisa, e muito, de exemplos de pessoas
que saíram de baixo e venceram. Estas pessoas
são como luzes no final do túnel”,
finaliza.
|