Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

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3° Festival de Comunicação reúne em Ribeirão Preto destaques do jornalismo e publicidade

Foto: Tassiane Mariano

Alexandra Onofre
Fábio Mancilha
Luís Henrique de Sousa
Renata Magnenti

Um total de 424 inscritos, entre universitários de Comunicação de toda a cidade. Oito horas divididas em quatro noites. Catorze palestrantes, além da visita de profissionais que fazem o Jornalismo diário em Ribeirão Preto. Assim foi o 3º Festcom (a Semana de Comunicação do curso de Comunicação Social), realizado pelo Centro Universitário Barão de Mauá, na unidade Jardim Califórnia, entre 20 e 24 de setembro.
O evento reuniu palestrantes com características diferentes, mas algo em comum: todos fazem Comunicação, seja ela publicitária ou jornalística. Confira a seguir alguns dos momentos de maior destaque.

Mauro Naves, “um jornalista futebolístico”
Formado em Estatística, Mauro Naves atuou sete anos no mercado financeiro. Nesse período concluiu a faculdade de Jornalismo e não abandonou mais a mídia. Foi convidado a fazer um teste na Rede Globo e lá está há 17 anos. “A Rede Globo nos dá liberdade de realizarmos nosso trabalho, nunca tentaram me dizer qual roupa ou penteado deveria usar”. Mauro sempre esteve engajado no esporte e hoje se considera um “jornalista futebolístico”.
O repórter expôs à platéia fatos que acontecem com quem transmite as informações ao vivo. Contou com exclusividade que, durante certo jogo da seleção brasileira em Assunção (Paraguai), houve um blecaute e a partida foi interrompida. Neste espaço de tempo, ele foi entrevistar o jogador Ronaldinho. “Perguntei a ele, ‘Ronaldinho, o que você achou do jogo?’. Ele respondeu ‘eu ainda não achei nada, só 2 minutos de jogo, eu queria achar uma correntinha no chão’”. Mauro completou ainda que, no mesmo dia, o jogador Kaká fez xixi no campo. “No momento em que eu estava perguntando ao Ronaldinho, Kaká passou e fez um ‘xixizito’ lá mesmo. Se acendesse a luz, as meninas, ao menos, ficariam ouriçadas”.
Sobre a proposta do governo Lula de criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), entidade federal com a função de normatizar a profissão e punir profissionais, Naves é taxativo: “É uma idéia infeliz. Já passamos do tempo da ditadura. O Jornalismo brasileiro está amadurecido o suficiente para tomar conta de si próprio, até porque já temos censura interna”. Ele acredita que o projeto já perdeu força, mas isso não diminui a responsabilidade do jornalista. Sugere que os profissionais tenham um órgão criado pela própria classe para fiscalizar os demais, e alerta “não é porque o cara é formado em Jornalismo que tem o direito de sair por aí falando sem provas”.

“Gosto de fazer telejornal regional”
Chefe de Redação da EPTV – Ribeirão Preto, Edithe Gonçalves, 45, já trabalhou como gerente comercial da empresa Kaiser, no dominical “Fantástico”, da Rede Globo, como Chefe de Redação na Globo News e gosta de fazer telejornal regional.
Edithe deu dicas tais como iniciar um estágio logo que se ingressa na faculdade. “Comecei em TV como estagiária. O estágio é importante em toda e qualquer profissão, acho fundamental. Às vezes dizemos ‘ah, é um jornal de uma cidadezinha distante’, para você ele pode não significar, mas para aquela comunidade é fundamental”.

Publicidade versus jornalismo
Vindos da capital do estado, Cláudio Gonçalves, 41, pós-graduado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Guto Dias, 35, Mário Bondi, 28, e Henri Assef, 27 (graduado em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário Barão de Mauá), são sócios em uma empresa de publicidade em São Paulo.
Henri Assef declara a respeito do trabalho publicitário: “temos que suprir diariamente as necessidades de comunicação de cada cliente. É necessário que o publicitário estude fatores como fornecedor e consumidor. Para isso, há diversas ferramentas, como a pesquisa”.
O publicitário já atuou na área de Jornalismo e explica que a principal diferença entre o Jornalismo e a Publicidade é a meta final. “O objetivo do Jornalismo é a informação e o da Publicidade é o negócio”. Quando perguntado sobre qual seria o mais complicado, respondeu: “hoje vejo que propaganda é mais difícil”.

Na visão do fotógrafo
“Isso é uma bobagem!” É a opinião do repórter-fotográfico PC Falseti sobre a proposta de criação do Conselho Federal de Jornalismo. Para ele, esta é uma maneira de o governo desviar a atenção de problemas reais. “As pessoas têm que estar livres, cada um se adequando a sua entidade”, ele comenta.
Aos 14 anos Falseti já atuava em jornal impresso. Chegou a criar um jornal em sua cidade de origem, Bariri (SP). Como não podia pagar um fotógrafo, ele mesmo escrevia as matérias e fazia as fotos. O tempo passou e Falseti, 42, especializou-se em fotografia.
O jornalista comentou que, no interior de São Paulo, o mercado está melhorando. Segundo ele, isso faz com que os profissionais fiquem e outros venham para Ribeirão. “Aquele sonho de ir para São Paulo está acabando, porque aqui a qualidade do mercado está boa; as oportunidades estão se abrindo”.
“Se eu fotografo uma modelo hoje, e amanhã quero usar esta fotografia em uma revista, peço autorização, senão é complicado, aí o problema estará na minha porta”, comentou. Ainda sobre ética fotográfica, disse que “o Brasil mudou e os fotógrafos precisam criar novos códigos de conduta. O ‘jeitinho brasileiro’ está caindo por terra, hoje há lei pra tudo e é preciso adequar-se a elas”.

Essa tal “assessoria de imprensa”
Formada em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes (ECA), da USP de São Paulo, a assessora da Ambev, Adriana Vera e Silva, falou sobre a função de um assessor de imprensa em comparação à função do jornalista: “o jornalista tem que defender o interesse do leitor e do veículo em que trabalha. O assessor de imprensa é parecido com um advogado, pois defende o interesse do cliente. Isso faz com que jornalistas e assessores de imprensa sejam profissionais distintos”. Mas ela completa que ambos têm princípios ideológicos do Jornalismo. “O importante é que tanto jornalistas quanto assessores trabalhem com ética e saibam que não devem mentir ou esconder uma informação vital para a sociedade”.
A jornalista acredita que os profissionais de imprensa são preconceituosos com os que atuam em revistas femininas. Eles alegam, de acordo com ela, que esses profissionais não merecem crédito. “Na realidade o processo de trabalho é bem parecido, tanto em revistas femininas quanto em jornais diários. A trajetória básica é a mesma: produção de pauta, apuração, redação e edição”.

“Criar jingles é se emocionar”
O publicitário Francis Monteiro começou a criar jingles por acaso. “Um dia fui convidado a criar uma música para um produto e na hora em que entrei no estúdio gostaram do que fiz. Não parei mais”.
Francis explica que não é possível ensinar um aluno a criar jingle e sugere que os interessados façam aula de representação. “Se você precisa de um jingle para caminhoneiro, então seja o caminhoneiro, pegue estrada, sinta saudade da família. Criar jingle é se emocionar, se envolver com o trabalho”.
Segundo o palestrante, não há diferença entre o mercado publicitário de São Paulo e Ribeirão Preto. “Atualmente está tudo globalizado. A única diferença é o preço”. Ele afirma ainda que há boa qualidade nos trabalhos nas duas cidades mencionadas.
Desde a década de 90, Francis mora em Ribeirão Preto e faz intercâmbio entre a capital e o interior. Conta que ficou surpreso com a qualidade dos estúdios de Ribeirão. “Não sabia que aqui tinha bons estúdios”.