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Quando sabemos que um artista
perde sua genialidade? Quando podemos dizer que um artista
se vendeu ao poder máximo da televisão?
Quando o valor de suas obras está equivocado,
o que resta a ele fazer? Essas perguntas são
relevantes quando analisamos autores oriundos de uma
mídia para outra.
Deixem-me explicar: depois de uma discussão sobre
os rumos da televisão brasileira, levando-se
em consideração os autores de novelas
que são sucesso e que por semanas permanecem
no topo do Ibope, peguei-me questionando suas obras
passadas e atuais. O que encontrei foi um vazio e um
“conformismo” em relação ao
tratamento dado para as duas formas de se contar uma
(boa) história, o cinema e a televisão.
É certo que os dois tratamentos exigem uma diferente
linguagem, mas nada que um autor de respeito não
consiga fazer, colocando em suas tramas as diversas
ambigüidades e reviravoltas que uma história
exige. Quando pensamos em cinema, o autor (ou “criador”)
tem mais liberdade de trilhar caminhos pedregosos e,
assim, criar uma obra única e especial, que possa
servir de parâmetro para outras diversas gerações.
Quando pensamos em novelas, o autor tem de tomar mais
cuidados, pois necessita da atenção do
público por uma média de oito meses. Não
escrevo para criticar nenhuma forma, mas sim, seus autores.
Dois exemplos:
1- Antonio Calmon: o autor, dono de novelas de sucesso
como “Vamp” e “O beijo do Vampiro”,
sempre privilegiou a linguagem jovem e a estética
mais simples. Suas obras alcançam o interesse
de diversas classes sociais, com histórias revisitadas
com toques de inocência, criando um tom lúdico,
mesmo quando atores representam o caricato. Antonio
Calmon se profissionalizou em cinema, e dirigiu filmes
que foram sucessos absolutos nas décadas de 70
e 80, e definiram gerações, como “Menino
do Rio” e “Garota Dourada”, que catapultaram
astros como Claudia Magno e André di Biase, entre
outros. Quando precisava colocar um pulso mais firme
na direção, nos brindava com filmes fortes,
com histórias angustiantes e estética
mais realista, como “Terror e Êxtase”.
Quando começou a escrever para a televisão,
parece que seu olhar mais clínico e cínico
se perdeu, dando lugar a um acomodado autor de folhetins
descartáveis. Será esse o poder da televisão?
2- Daniel Filho: o experiente diretor de novelas e filmes
também é um excelente ator (basta conferir
sua inebriante atuação no sufocante “Querido
Estranho”). Por estar sempre passeando por sobre
as diversas mídias, Daniel Filho acaba entrando
em conflito, fazendo o caminho inverso de Antonio Calmon:
dono de obras televisivas como “Malu Mulher”
e “Irmãos Coragem” (em sua primeira
versão), o diretor enveredou-se nos cinemas,
nos dando filmes ocos e sem brilho, como o novo “A
Dona da História”. É como se o tom
inovador depositado na televisão ficasse estacionado
em relação ao cinema criando, assim, um
refúgio onde pudesse extravasar sua inocência.
Será esse o poder da televisão?
Esses são apenas dois exemplos de uma série
de “aventurados” que tentam encontrar uma
personalidade, divididos entre dois meios. Eles precisam,
entretanto, tomar um cuidado muito grande, pois, assim
como afirma Daniel Filho, esses “criadores”
estão fadados ao esquecimento.
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