Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

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Antônio Carlos Tórtoro

Heraldo Pereira

Sócrates

EDITORIAL E ARTIGOS

Editorial

Artigo: Consuma sem consumir o mundo onde você vive

Artigo: O poder de duas mídias

Artigo: Greve no judiciário paulista

Artigo: Boca de urna ou falsa cidadania?

Expediente

Errata

JORNAL EM PDF!

EDITORIAL

O poder de duas mídias

Valter Martins de Paula

 

Quando sabemos que um artista perde sua genialidade? Quando podemos dizer que um artista se vendeu ao poder máximo da televisão? Quando o valor de suas obras está equivocado, o que resta a ele fazer? Essas perguntas são relevantes quando analisamos autores oriundos de uma mídia para outra.
Deixem-me explicar: depois de uma discussão sobre os rumos da televisão brasileira, levando-se em consideração os autores de novelas que são sucesso e que por semanas permanecem no topo do Ibope, peguei-me questionando suas obras passadas e atuais. O que encontrei foi um vazio e um “conformismo” em relação ao tratamento dado para as duas formas de se contar uma (boa) história, o cinema e a televisão. É certo que os dois tratamentos exigem uma diferente linguagem, mas nada que um autor de respeito não consiga fazer, colocando em suas tramas as diversas ambigüidades e reviravoltas que uma história exige. Quando pensamos em cinema, o autor (ou “criador”) tem mais liberdade de trilhar caminhos pedregosos e, assim, criar uma obra única e especial, que possa servir de parâmetro para outras diversas gerações. Quando pensamos em novelas, o autor tem de tomar mais cuidados, pois necessita da atenção do público por uma média de oito meses. Não escrevo para criticar nenhuma forma, mas sim, seus autores. Dois exemplos:
1- Antonio Calmon: o autor, dono de novelas de sucesso como “Vamp” e “O beijo do Vampiro”, sempre privilegiou a linguagem jovem e a estética mais simples. Suas obras alcançam o interesse de diversas classes sociais, com histórias revisitadas com toques de inocência, criando um tom lúdico, mesmo quando atores representam o caricato. Antonio Calmon se profissionalizou em cinema, e dirigiu filmes que foram sucessos absolutos nas décadas de 70 e 80, e definiram gerações, como “Menino do Rio” e “Garota Dourada”, que catapultaram astros como Claudia Magno e André di Biase, entre outros. Quando precisava colocar um pulso mais firme na direção, nos brindava com filmes fortes, com histórias angustiantes e estética mais realista, como “Terror e Êxtase”. Quando começou a escrever para a televisão, parece que seu olhar mais clínico e cínico se perdeu, dando lugar a um acomodado autor de folhetins descartáveis. Será esse o poder da televisão?
2- Daniel Filho: o experiente diretor de novelas e filmes também é um excelente ator (basta conferir sua inebriante atuação no sufocante “Querido Estranho”). Por estar sempre passeando por sobre as diversas mídias, Daniel Filho acaba entrando em conflito, fazendo o caminho inverso de Antonio Calmon: dono de obras televisivas como “Malu Mulher” e “Irmãos Coragem” (em sua primeira versão), o diretor enveredou-se nos cinemas, nos dando filmes ocos e sem brilho, como o novo “A Dona da História”. É como se o tom inovador depositado na televisão ficasse estacionado em relação ao cinema criando, assim, um refúgio onde pudesse extravasar sua inocência. Será esse o poder da televisão?
Esses são apenas dois exemplos de uma série de “aventurados” que tentam encontrar uma personalidade, divididos entre dois meios. Eles precisam, entretanto, tomar um cuidado muito grande, pois, assim como afirma Daniel Filho, esses “criadores” estão fadados ao esquecimento.