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Teve início no dia
2 deste mês o 31 horário de verão
brasileiro, adiantando em uma hora os relógios
das regiões sul, sudeste e centro-oeste; conhecidamente
maiores consumidores de energia elétrica no país.
Anual desde 1985, a medida visa prolongar o aproveitamento
da luz natural nos finais de tarde, para reduzir a demanda
de energia elétrica do período denominado
“horário de pico de consumo”, compreendido
entre as 18 e 21 horas. Prevista para vigorar até
20 de fevereiro de 2005, a mudança gera em média
4% de economia no consumo do horário noturno.
Países como Canadá, Estados Unidos e membros
da União Européia também têm
a cultura de adotar a opção de economia
em seus verões.
O brasileiro aprendeu, ao longo do tempo, e na prática,
a acostumar-se com o horário alternativo. Adaptação
que denota o amadurecimento do conceito de cidadania,
incluindo no código de ética da comunidade
capitalista contemporânea a necessidade de colaboração
coletiva por um objetivo comum. Questões como
reciclagem do lixo e coleta seletiva têm sido
bem difundidas e aceitas pelas mídias de informação.
Ao mesmo tempo, o processo de conscientização
popular acerca de outras necessidades ambientais em
muito deixa a desejar, tanto por questões comerciais
quanto por um quadro natural de sociedade em desenvolvimento,
onde os interesses e a informação do censo
comum ainda se encontram em estado de maturação.
O consumo consciente mostra-se essencial no mundo do
século 21. O crescimento da população,
no caminho oposto ao dos recursos naturais, além
de potencializar a produção de lixo e
poluição, leva à exploração
e transformação indevidas da natureza.
O cerrado brasileiro tem desaparecido em ritmo acelerado,
dando lugar a plantações, em geral cafezais
e canaviais; ao tempo em que nas cidades a impermeabilização
do solo, canalização dos rios e desproporcionalidade
entre o número de moradores e árvores
indicam queda na qualidade de vida. Acabamos de passar
por eleições municipais e, em grande parte
das cidades, questões ambientais como as anteriormente
citadas não entraram em pauta. A produção
descontrolada de lixo e a urbanização
insustentável têm sido pouco focadas pelos
meios formadores de opinião; o que nega ao conhecimento
popular as ferramentas intelectuais necessárias
para cobrar de seus representantes posições
apropriadas.
Todos os bens de consumo, desde uma calça jeans
a um carro, consomem centenas de litros de água
em seu processo de fabricação. A invasão
dos plásticos e descartáveis aumentou
o lixo em progressão geométrica nas últimas
duas décadas. Lixo que por sua vez, se jogado
nas vias públicas, termina nas redes de esgoto
e, por conseguinte nos rios que abastecem os centros
urbanos. Há no Brasil o descaso típico
de um país extenso que goza de abundância
de recursos. Repúblicas menores e com recursos
mais escassos, como os países da Europa, controlam
melhor seus recursos hídricos, fornecedores de
energia (carvão e gás natural) e lixo.
Na Alemanha, por exemplo, são populares as garrafas
retornáveis, assim como a população
vai às compras com suas próprias sacolas.
Na América do Norte há a prática
do “carpooling”, movimento popular no qual
vizinhos que tenham a mesma rota ou destino final optam
por deslocar-se no mesmo automóvel, uma espécie
de carona politicamente correta, procurando reduzir
o número de automóveis nas ruas, e a conseqüente
emissão de gases poluentes resultantes da queima
de combustível.
Na condição de país de terceiro
mundo apegado à cultura capitalista de consumo,
o Brasil precisa de políticas voltadas à
preservação de todas as suas fontes de
energia e ao respeito por sua natureza. Enquanto a cúpula
governamental não cria as leis apropriadas para
tal, a população deve fazer sua parte,
agindo como nas causas bem aceitas do horário
de verão e reciclagem de lixo. O pensamento mágico
de que o lixo desaparece quando o caminhão de
coleta cruza a esquina é fruto da comodidade.
Consumir com inteligência é dar preferência
a produtos que tragam menos plástico, isopor
e embalagens desnecessárias; assim como adquirir
eletrodomésticos que tenham menor consumo de
energia elétrica e gasto de água. Promover
o reaproveitamento de papéis e evitar produtos
descartáveis, assim como percorrer menores distâncias
andando, ou em meios de locomoção não-poluentes
como as bicicletas, além do “carpooling”,
são maneiras de expressar o cuidado pelo meio
ambiente.
Parece evidente que o governo se preocupará com
questões ambientais quando a população
eleger este tópico como algo importante. Na era
da sociedade de auto-consumo até mesmo a política
tornou-se um comércio, pois o candidato só
adiciona à sua imagem a solução
para questões que interessem a um número
massivo de eleitores. Talvez a partir da mobilização
popular, as indústrias, e seu mega-consumo, sejam
melhor fiscalizadas para preservarem ar, solo e água;
e o governo crie afinal medidas de controle de natalidade,
para equilibrar o caos do crescimento populacional.
Neste ciclo nítido, tudo passa, como sempre,
pelo setor comercial e pela educação.
Quando alimentado didaticamente pela escola e ideologicamente
pela onipresente mídia, o censo comum passará
a procurar no verso do rótulo dos candidatos
expostos nas prateleiras o ingrediente “preocupação
ambiental”. Enquanto isso, quando for consumir,
mensure não somente o prazer do durante, mas
os sacrifícios do antes (árvores cortadas,
água e energia gastos, animais mortos) e as conseqüências
do depois (a linda embalagem colorida, se for de plástico,
ficará boiando no ribeirão por quatro
séculos).
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