| Alexandra
Onofre
Renata Magnenti
Nascidos na Bahia e acolhidos por Ribeirão Preto,
conhecidos como “irmãos bombom”,
Leôncio José do Nascimento, 29, e Leonardo
José do Nascimento,22, se tornaram ícones
no centro da cidade.
Há 12 anos Leonardo e Leôncio deixaram
Paripiranga no interior da Bahia e vieram convidados
por Josafa (também irmão) tentar a vida
na cidade. Não tiveram muita chance de estudo.
“Eu fiz só até a 3ª série
[ensino básico] e meu irmão fez a 1ª
série [ensino básico]”, conta Leôncio.
Quando chegaram a Ribeirão decidiram vender bombons
no antigo terminal de ônibus Achê. Foi aí
que receberam pela primeira vez o apelido que faria
deles pessoas conhecidas. “Foi um menino de rua
que chamou a gente de ‘irmãos bombom’.
Gostamos do nome e resolvemos adotá-lo”,
Leôncio explica. A partir daí novas idéias
surgiram.
O carrinho que utilizam para transportar doces e bebidas
é todo decorado; há desde galhos de árvores
a adevisos de políticos. Na época de calor
colocam caixinhas de som no carrinho. “No verão
vendemos água e tocamos a música ‘bebeu
água, tá com sede?’ É bem
engraçado”, diz Leôncio, que confessa
a preferência por vender bombons. “Era bacana
vender bombons, mas hoje a venda deste produto caiu”.
Para atrair novos clientes eles distribuem balas e pipocas
gratuitamente pelas ruas.
Freqüentemente eles saem pelo centro fantasiados
de noiva e noivo, Batman e Robin, Teletubbies, homem-aranha,
entre outros personagens. Dizem que nos dias em que
estão fantasiados as vendas são melhores.
Num desses dias foram convidados pelo gerente de uma
rede francesa de supermercados para trabalhar em uma
das lojas. Contam que ficaram três anos no emprego,
e sempre estavam fantasiados. Algumas vezes sentiram
dificuldades para animar o ambiente. “Só
ficamos felizes quando o povo ri pra nós. Quando
o povo não ri, a gente fica meio sem graça,
mas mesmo assim tentamos de alguma forma levantar o
astral”, relatam.
Todas as fantasias utilizadas diariamente são
compradas com o dinheiro das vendas. Apesar de serem
temporariamente contratados por redes de supermercados,
elas não disponibilizam as vestimentas.
Trabalham de segunda a segunda pelas ruas de Ribeirão
Preto e têm alguns pontos de venda fixos, como
a Praça da Catedral, o calçadão
do centro e o ponto de ônibus próximo à
prefeitura municipal.
A dupla chega a ganhar mensalmente R$ 1 mil. Dinheiro
com o qual já compraram um terreno e uma casa,
ambos na Bahia. Em Ribeirão Preto moram no centro
da cidade, não são casados nem possuem
filhos, mas têm grande saudade da família
que mora na Bahia. “Faz um ano que não
vemos nossa mãe, sentimos saudades dela”,
afirmam.
Leôncio confessou que o atual governo municipal
é contra a atuação de ambulantes
nas ruas do centro e relata que a fiscalização
“pega no pé”. “Esses dias eles
saíram me seguindo até o fim do calçadão.
E me falaram ‘sai, vaza’. Não precisa
falar assim, estamos trabalhando há 11 anos”.
João B. Silva, 55, ambulante há seis anos,
conhece o trabalho dos “irmãos bombom”
há dez, e afirma que eles sempre foram engraçados.
Vale ressaltar que esta entrevista foi interrompida,
quando conversávamos com o entrevistado, João
B. Silva, os fiscais da prefeitura apareceram no local.
O ambulante pegou sua mercadoria e foi embora.
Segundo a população que freqüenta
as imediações do centro de Ribeirão
Preto, a dupla já faz parte do cenário.
“Eu adoro os ‘irmãos bombom’”,
afirma a cozinheira Diana Aparecida Policardio Martins,
34. A estudante Charlene Giroldo, 23, acha os irmãos
engraçados. “Eles ganham o dinheiro deles
honestamente, acho legal o que fazem”.
Leonardo e Leôncio se consideram celebridades
de Ribeirão Preto, onde, de certa forma, conseguiram
fama e trabalho.
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