
Frutos de uma experiência que combinou etnias, culturas e continentes diferenciados, talvez, mais do que nenhum outro povo, nós, brasileiros, conhecemos o significado da palavra dialogo. Originário do grego dia-logus (experiência/conhecimento travado num certo tempo e espaço presente), em terras brasileiras o termo adquiriu um conjunto de outras conotações: miscigenação baseada em encanto e dor; aprendizagem mútua de sentidos e significados humanos; inteligibilidade social que compõem e recompõem as esferas do público e privado, embaralhando-as; compreensão do sagrado que não exclui o profano, pelo contrário, o admite e o incorpora; vivência do urbano, sem apagar o gosto e o desejo pelo rural e vice-versa, entre outros. Enfim, sob a condição de sermos um povo híbrido, calcado na polissemia, na bricolagem, sabemos de modo impar, particular e amplo o que representa a palavra diálogo.
Acreditamos que expressar justamente este amálgama
que delineia as configurações sociais/políticas/econômicas
e culturais que molda, plasma e atribui significação
ao povo brasileiro: seja uma das tarefas principais
da revista Dialogus, periódico semestral, que
vêm a lume por meio da proposta do conjunto de
professores e alunos dos cursos de Pedagogia, Geografia
e História do Centro Universitário “Barão
de Mauá. Não se trata de uma iniciativa isolada,
o surgimento desta revista está associado a graduações
já há décadas implantadas. Nos
últimos anos, tais graduações vivenciam
um processo de reorganização, envolvendo
modificações profundas da grade curricular,
renovação da composição
do corpo docente e adoção de uma preocupação
constante com a pesquisa, por meio da obrigatoriedade
do Trabalho de Conclusão de Curso, estágios e
a oportunidade de participação em projetos
de Iniciação Científica.
Contudo, Dialogus não é
um periódico destinado somente e exclusivamente
a publicação de docentes e discentes das
graduações em licenciatura em Pedagogia,
Geografia e História do Centro Universitário
“Barão de Mauá”. O termo diálogo
deve também ser interpretado como oportunidade
para ocorrência de encontros entre profissionais
e estudantes de diversas instituições
que têm em comum o envolvimento com a incansável,
admirável e incompleta aventura em torno da compreensão
do homem em todos os seus aspectos. Encontros que não
devem ter como protagonistas apenas pedagogos, geógrafos
e historiadores, mas todos aqueles que, frisemos, lancem
seu olhar e seus esforços através das
palavras, formas materiais, depoimentos, rituais, comportamentos
e demais expressões tradutoras de homens e mulheres
ao longo de tempos e de espaços variados.
A configuração interna da revista Dialogus foi
arquitetada para igualmente favorecer a pluralidade.
A proposta para sua composição prevê
uma diversidade discursiva interessante: serão
aceitos artigos, resenhas, ensaios, notas-prévias,
traduções, entrevistas, transcrições
de palestras, conferências, mini-cursos, entre
outros. Na sessão destinada aos artigos, as áreas
são: Educação, Epistemologia e
Teoria em Geografia e História, Geografia e História.
A existência de tais áreas, porém,
não impedirá o recebimento de artigos
referentes a outras áreas das Humanidades, destinando-se
uma sessão livre para atender a esta demanda.
Os diálogos não se encerram aí,
pois além dos autores que enviarão seus
textos para publicação, contará
ainda a revista com outra forma de colaboração:
conferências, palestras, mini-cursos, cursos de
extensão e oficinas associadas às graduações
em Geografia, História e Pedagogia do Centro
Universitário “Barão de Mauá”
e que forem organizadas ao longo de cada ano letivo.
Dialogus, constantes diálogos. Nesta sentença que expressa começo sem fim, posto que diálogo envolve experiências humanas em constante exposição, deposita a Comissão Editorial a certeza de que o projeto associado a este periódico é realização cujo término está a perder de vista. Cheios de alegria e satisfação é que os membros da Comissão Editorial convidam a todos para que participem e usufruam desta conquista, hoje, amanhã e sempre.
Tenham certeza.
Comissão Editorial |